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Rascunhos
“Se na literatura busco recriar
a verdade que se esconde sob a realidade,
na vida corro o risco, às vezes fatal,
de recriar alguém que só existe na minha imaginação.”
- Fernando Sabino -

Mais que um passa-tempo


O que ia fazer ali, ninguém entendia muito bem. Nem os amigos mais próximos, nem a moça que tomava conta da biblioteca. No início, era tímida. Chegava como quem não quer nada, me perdia no meio das estantes e esquecia que o tempo controlava a vida. Aos poucos fui ganhando intimidade e me apresentando aos autores. “- José de Alencar, eu sou a Cris.” Escolhia os livros com curiosidade inocente, lendo alguns trechos sem recomendação. Lia e ia montando minha própria lista de indicações.

 

A biblioteca era quase no porão e as largas janelas não eram suficientes para acabar com o cheiro de mofo. A alergia atacava, mas aquele clima de coisa antiga e cheia de segredos me atraía também quando estava triste, cansada, aborrecida ou simplesmente com preguiça de correr pelo pátio, subir árvores ou pular elástico.  Escolhia cuidadosamente os livros que levaria em minha fuga de casa -  Sempre que brigava eu fugia de casa para uma cabana construída com lençóis no meu quarto. Me “mudava” levando apenas um abajur, meu travesseiro, um colchonete e uma pilha de livros.

Não, eu não era uma criança solitária. Pelo contrário. Já cultivava amizades que durariam décadas. Vivia cercada de outras crianças, tão barulhentas e criativas quanto eu. Andava de bicicleta, brincava de pique, participava de ginganas e ensaiava coreografias para shows. Mas gostava desses momentos de solidão que eu considerava “adulto”. Achava que no ano 2000 eu seria uma velha de 24 anos. Planejava ser astronauta, cantora (risos), milionária, espiã, piloto de teste ou trabalhar no Carrefour (queria andar de patins o dia inteiro – que emoção seria!). Entre as cem vidas que tinha a escolher, gostava de pensar que poderia viver todas. Mas, no instante seguinte, recuava mil passos. E então, era como se não pudesse viver nem a minha.

A bibliotecária vivia numa dúvida cruel entre me podar as leituras ou incentivar o gosto precoce. Achava que alguns livros só poderia ler no segundo grau – eu estava na quarta série. Me mudei no ano seguinte e novamente comecei minha jornada: nova cidade, novas estantes, novas brigas. A bibliotecária do colégio não entendia minha angústia, mas a biblioteca pública era na esquina da minha casa, ou a minha casa era na biblioteca pública. Ali ninguém vigiava. Que estranho era alguém amolar quem só queria ler livros! O que poderia haver de tão importante em uma garota lendo um livro?

Tinham medo que o desgosto que me levava à biblioteca fosse maior do que simplesmente orgulho ferido. Algo que perpassava todo o resto e que não sabiam explicar. Um olhar triste de nostalgia, encarando a fresta por onde lhe escapava a alma. Até os momentos mais alegres vinham acompanhados de certa melancolia - saudade deslocada no tempo. Não conseguiam ver que eu estava apenas vivendo a história alheia. Eu era feliz, era normal... só tinha um gosto peculiar pela leitura.

Tudo isso é só para contar que ontem ganhei um livro. Uma simples quinta-feira de prova, e eles ainda lembraram de mim. Rapazes, very thanks!!! Estarei mais um vez mergulhando em uma viagem pelo mundo. Conhecendo novas pessoas, novas vidas, novos lugares, um novo aprendizado. Mas volto para almoçar com vocês.



Escrito por Cris às 17h21
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Aconteceu comigo

 

Bruno Bauer Batista é o nome do rapaz nessas fotos. Ele é meu primo e está desaparecido desde o dia 05 de janeiro.

Bruno está com 26 anos, é ex-fuzileiro da Marinha, aproximadamente 1,80m, 70 kg (agora, provavelmente mais magro), tatuagem
de mandala no braço direito .

Foi visto pela última vez em Belo Horizonte, no bairro de Santa Tereza e depois simplesmente desapareceu. Bruno sempre teve um
apego grande com o mar, já morou no Rio e em Guarapari e pode ter procurado esses lugares ou qualquer outro na orla desse “pequeno” país.

Recebemos e deletamos centenas de mensagens como essa, até que o problema acontece ao seu lado, com seu filho, seu irmão, seu primo, seu pai.

Por favor ,  olhem para a foto com atenção e qualquer notícia entrem em contato com a polícia de Minas Gerais ou Espírito Santo  ou através do telefone abaixo:

0800-2828-197     

 



Escrito por Cris às 23h08
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Momento Alice

"Que caminho eu devo tomar?" - perguntou Alice -
"Isso depende de onde você quer chegar", respondeu o Gato.
"Mas eu não sei para onde ir" - Insistiu Alice.
"Neste caso... qualquer caminho serve!"
                    Lewis Carroll
                        Alice no País das Maravilhas



Escrito por Cris às 15h23
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Alguém tem dúvida???

Gêmeos
Eu quase não consigo escrever sobre este signo. Isto porque eu tinha que fazer ginástica e me lembrei que tinha que dar um pulo no meu banco para resolver um problema de débito automático, quando me lembrei que hoje, terça feira, é o dia da feira aqui do lado de casa, mas caraca, eu tinha que ver um apartamento com um corretor antes do meio dia, horário da rádio.
Ufa!
É exatamente assim que é a personalidade, o ritmo e o cotidiano do geminiano. Pensa mil coisas ao mesmo tempo, começa cinco e termina meia.
Porém no meio disto tudo, sai uma idéia maravilhosa, algo louco e inédito.
O geminiano é capaz de parar o sexo com você, só para ver o novo clip da Amy Winehouse e depois volta com o mesmo fogo de antes, enquanto você está ainda enxugando as lágrimas.
O povo de gêmeos tagarela muito. E não consegue guardar segredos. Se quiser prejudicar alguém, solte um veneno para o geminiano e ele vai espalha-lo, como se fosse a imprensa marrom.
E de repente, o gêmeos está ali na festa dançando, pulando e do nada, fica quieto, sério, e vai embora…
É o seu outro lado, entrando em ação. Gêmeos é um signo duplo, assim, como sagitário e peixes, são os chamados signos mutáveis.
É o signo que melhor representa a TPM
O geminiano é inteligente porque absorve tudo muito rápido, tipo um Sempre Livre, mas odeia se aprofundar nas coisas…
Tipo, modess sim, vibrador não.
Dizem que gêmeos é falso. Não é. Apenas muda rápido de idéia.
Corretores de imóveis se irritam com este signo.
O homem geminiano tem sempre muito o que fazer, muitos amigos, muitas atividades e pode até ter duas namoradas, porque esqueceu se de terminar com a outra. Mas não tenha pena, mate-o do mesmo jeito.
Geminianas são lindas, femininas e ágeis. Grande parte das modelos são geminianas, talvez por isto se adaptem a vida de modelo que é mil testes, mil viagens, mil dietas, mil vômitos, enfim.
Tenho um amigo geminiano que demora 3 horas para malhar, porque fala com toda a academia.
Tenho um outro amigo que é geminiano, judeu, mas fala japonês fluentemente.
E tenho um outro que era músico formado, virou arquiteto, já foi motorista e ataca de corretor de imóveis.
Entenderam?
Ou seja, com o talento bem canalizado, vão longe…
E alguém lá sabe canalizar talento?

Copiado do site http://acayra.wordpress.com/2008/07/30/horoscopo-por-cristian-pior/#comments



Escrito por Cris às 20h23
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Um dia é da caça, o outro...

Me perdi. Ok, isso não é novidade. Mas me perdi em Lisboa. Me meti num labirinto de escadas escuras sem nenhuma alma viva para contar história. A impressão que eu tinha era que a cada 100m tinha um único lampião. Cenário perfeito para Jack, o estripador. Como estou em Lisboa e não em Londres, mantive os medo de possíveis brasileiros à minha volta.

 

Escada sobe, escada desce e só o toc toc do meu salto nas ruas. 3oC, vento, frio, chuva e... gente. Um pequeno amontoado em frente à uma casinha caindo aos pedaços.  Fui para lá. Era um evento cult sobre literatura, com venda de livros com renda destinada à alguma instituição de caridade. Discussões filosóficas, leituras, interpretações feitas pelos próprios autores e ... EU! Me senti em casa e por lá fiquei.

 

Evento, festa num hotel, jantar.

Cris com um cardápio na mão: “ Alguma sugestão do que devo experimentar da culinária portuguesa?”

Vizinho de mesa apontando para seu próprio prato: “Gambas afogados.”

Cris olhando o prato do vizinho: “Não, Bobó eu já conheço. Quero algo diferente!”

Vizinho engasgado. TODA a mesa rindo da minha pessoa e eu fiquei famosa!

PS: Bobó seria a versão pejorativa para Sexo oral, ou nosso conhecido “boquete”



Escrito por Cris às 16h36
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“Desce 2, desce mais...”

- Já tomaste a Poncha?

- Não. O que é isso?

- Bebida alcoolica tradicional da Ilha da Madeira. Tens que provar.

- Bora! Mas o que é exatamente a Poncha.

- A nossa versão da caipirinha. Pegas aguardante, molhas o caralhinho no mel e bates com vontade assim oh (mostrando como se faz com as mãos). Depois juntas limão. Essa é a tradicional, mas podes bater com um monte de coisas diferentes.

- kakakakakakakkakakaka

- Que foi?

- Nada. Parece realmente muito bom.

- Sempre quererás mais.

- Tenho certeza disso.

Receita:
Retirado do site: Something’s burning [or a fancy name for Esturrico] (http://oesturrico.wordpress.com/2007/01/24/poncha/)

4dl de aguardente de cana
sumo de 3 limões
sumo de 6 laranjas
mel (a gosto)
2dl de água tónica

Num jarro misturam-se o sumo de laranja, de limão e o mel. Mexe-se bem com o mexilhote [é um pau para mexer a poncha, que no fundo tem como que 2 hélices e roda-se como se fosse para fazer fogo, não sei se a imagem é esclarecedora, mas não encontrei uma ilustração do objecto...]. Adiciona-se a aguardente e a pouco e pouco a água tónica. Convém ir-se provando e dosear a bebida a gosto (ora com mais aguardente para ficar mais forte, ora com mais laranja…]

Obs: Tomei a versão com vodka e maracujá. MARAVILHOSO e realmente, quanto mais, melhor. Só tomem cuidado.  

Obs2: Preciso encontrar e levar um caralhinho desses para casa



Escrito por Cris às 11h33
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A tal primeira impressão

Depois de 2 horas de atraso na saída do vôo, é óbvio que perdi a conexão que estava agendada para 30 minutos depois da aterrissagem. Alguém duvidava que isso aconteceria?  - À propósito, se eu pudesse simplesmente sair do avião e me encaminhar para o novo portão de embarque, usando o trem (sim, TREM de verdade - veículo que anda sobre trilhos) para essa finalidade, ainda assim eu gastaria 27 minutos segundo a placa informativa. -  Mas como se não bastasse isso, eu precisei enfrentar a fila da aduana, atravessar descalça a porta com detector de metal E ainda resgatar meu note que ficou “garrado” DENTRO da esteira da dona.

Isso tudo significa que 1 hora após eu descer do avião, eu estava enfrentando outra fila na companhia de aviação para remarcar meu vôo. Muitas brigas – dos outros, não minhas – vôo remarcado, voucher de almoço, a primeira paella da temporada (horrível por sinal, não recomendada), um monte de homem lindo passeando para lá e para cá e eu gastando meu tempo escolhendo meu novo Ray-Ban.

 

5 horas após o previsto eu estava embarcando para Lisboa. Meu lugar ocupado por uma criança melequenta – melhor também não discutir, vai que sobra meleca na poltrona?  - Apetrechos guardados atrás, Cris sentada na frente. Decolagem, 2 horas ouvindo música natalina - Confissão:  EU SIMPLESMENTE ODEIO MÚSICAS DE NATAL!!!!  Pronto, falei. – 2 horas ouvindo a vizinha acompanhar TODAS as músicas natalinas – Eu preciso dizer que ODEIO PESSOAS QUE ACOMPANHAM MÚSICAS NATALINAS?

 

Mas tudo bem, ainda restava Lindt, a calma prevaleceu. Desembarque, bagagem, taxi, hotel, banheira, banho, cama... FOME.

 

Liguei para a recepção:

- Boa noite, vocês têm algum sanduíche com filé e fritas?

Resposta:

 - Como não senhorita? Estou enviando nesse momento um prego no cacete estalando de quente.

 

Nada como um Gran Finale !!!! Agora sim estou em terras lusitanas.



Escrito por Cris às 18h37
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Seguro morreu de velho

Vôo marcado para as 19h. Meio-dia. Banho tomado, mala pronta, bronca do chefe porque não fui trabalhar.

 

- Mas eu preciso ir para Guarulhos !

- Cris, são meio-dia, seu vôo é as nove horas.

- DEZenove.

- Nossa, desculpa. Como não imaginei que para um vôo às 19h você não poderia trabalhar o dia inteiro?

- Eu trabalhei de casa.

- Sei. E o projeto X?

- No seu email.

- E o Y?

- Estamos adiantados em 3 dias. Te enviei o cronograma por email.

- E o bolo?

- Também já... pera, que bolo?

- Hahahahha... o bolo da Pri.

- Ah... Isso não é comigo, mas eu paguei minha parte da Mimosa.

- Tá bom, na volta a gente conversa.

- Ótimo. Até lá você já se esqueceu mesmo. Hihihi

 

14h, entrando no taxi. 15h, no taxi. 16h, no taxi e uns 5 km à frente de onde estava às 15h. 17h, em Guarulhos. Just in time, baby! Chek-in, Dutyfree, Lindt.19h, nada... 20h, nada… 21h… “Senhores passageiros, sentimos informar que o vôo XXXX para Lisboa encontra-se atrasado porque a tripulação está retida no tráfego. Contamos com sua compreensão!”

 

Compreensão? Porque eles não saíram de casa às 14h? Porque EU que estou pagando preciso estar no aeroporto com 2 horas de antecedência e eles que estão sendo pagos, saem do hotel 2 horas antes do vôo? Se EU tivesse ficado retida no trânsito, o avião estaria compreensivamente me aguardando?

 

Mas tudo bem. Esse parágrafo foi apenas uma constatação. Ao contrário do que parece eu não me estressei, não gritei, não fiz cara ruim nem mesmo reclamei. Nada que um monte de Lindt e Coca Zero não resolvam.



Escrito por Cris às 18h56
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Foi paixão de primeira, no segundo olhar III

Foi paixão à primeira vista. Desde que o vi passando, forte, lindo... me apaixonei. Ficava olhando de longe, sem me apresentar, só com o olhar fixo que dizia que um dia seria meu.

Foram poucos na minha vida. O James, um caso de puro impulso. Entrei no lugar, olhei para ele e pronto, ele já me levou para casa. Ele foi o primeiro - aquele que a gente nunca esquece. Fazia o estilo básico, perfeito para a pessoa que eu era na época. Com ele aprendi, me aprimorei, criei confiança em mim mesma. Tivemos pouco tempo juntos. Ele morreu num acidente trágico onde tive a sorte de continuar viva.

Escolhido sem a afobação da vez anterior, o Afonso foi o boyzinho da minha vida. Todo arrumadinho, moderno, charmoso. Companheiro de todas as baladas, viagens, estudos, tudo... som alto, piquenique na estrada, festas e mais festas. Todas as minhas amigas amavam o Afonso. Éramos perfeitos juntos. Ficamos assim por muito tempo, mas ele precisou ser transferido. Me despedi em lágrimas, completamente inconformada.

Passei um tempo só. Umas voltinhas aqui, outras ali, mas nada sério, até chegar o Venâncio. Sério, elegante. Se tivesse que descrevê-lo em uma única palavra seria... classe! Já não estava mais na fase da badalação. Responsabilidades, trabalho, estudos. Tivemos alguns probleminhas no percurso, mas tudo muito bem resolvido. Posso dizer que nosso relacionamento era baseado em confiança e respeito. Eu cuidava bem dele e ele de mim.

Tudo ia muito bem até que de novo eu o vi. Tão perto dessa vez, bastava estender a mão e ele seria meu - aquele que foi o primeiro amor da minha vida. Paixão avassaladora, daquelas que o coração dispara e você perde a razão. Foram 7 dias de dúvida cruel: de um lado o Venâncio e uma estabilidade já conhecida, de outro aquele negão maravilhoso, objeto de vários sonhos não confessos e um futuro incerto. Sou impulsiva por natureza.

Foi 1 ano de felicidade plena, mas o Gilso sofreu com a violência de São Paulo. Houve uma invasão e ele morreu brutalmente. Seu corpo ficou largado no corredor  até que desligassem os aparelhos.

Demorei muito para me recuperar. De lá para cá aconteceram algumas aventuras. Billy, Jorge Alfredo... coisas de 1 mês ou 2 até que fui apresentada ao Dart. Parecia um clone -  Clones já andam mesmo entre nós?  - Ele era um pouco mais forte, um pouco mais bronco, mas... era o Gilso de novo. Se eu fechasse os olhos e trocasse o perfume eu até acreditava que era o mesmo negão. Lindo, charmoso, a única paixão avassaladora da minha vida.

 

O Dart conheceu minha família, conheceu meus amigos, se mudou para Sampa ... mas não se adaptou. Voltou para Minas e na nossa última tentativa de reatar a relação, ele nos jogou de

um barranco na estrada. Eu subi os  40m um pouco machucada e com o coração em frangalhos. O Dart não resistiu.

 

Um ano de luto, um ano isolada, um ano tentando entender o que aconteceu. Mas a vida muda, a fila anda... Novo emprego, novo endereço e eu o vi no Orkut do meu irmão. Algumas trocas de informações. Ele veio me visitar: Simples, leve, eficiente e eu me apaixonei pelos seus olhos claros. O Leo por aqui ficou e agora é ele quem ocupa a minha garagem.

 



Escrito por Cris às 14h19
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Código Binário

Sim, eu sempre fui cética quanto à amizades virtuais, mas também sou geminiana e posso mudar de idéia à qualquer momento.

Mas outro dia conheci um gatinho no trabalho que me falou de um lugar legal em São Paulo. O adicionei no Skype para perguntar onde era e... nada. Ele não me aceitou!

Acontece que, não mais que de repente, ele me chamou no Messenger para falar de outro assunto.  Descobrimos que já estávamos pré-destinados virtualmente proveniente de um longo relacionamento  passado,  devidamente linkados  e  toda essa não-comunicação nos permitiu uma não-intimidade totalmente ignorada pelo papo virtual.

O pobre coitado não só conheceu toda minha prolixidade, como conheceu meu gosto literário, minha ecleticidade para filmes, algumas confusões e  esse blog – quase por obrigação desencadeada pela minha falta de tato.

E se em meia-hora de troca de palavras digitadas inadvertidamente entre dois colegas de trabalho, ele já sabe tudo isso sobre minha pessoa, além da conclusão lógica de que falo (e escrevo) demais, eu também posso concluir que sim, é possível – e para muitos até mais fácil – fazer amizades pela internet.

E onde está a novidade em tudo isso ? Apenas no fato de ser tão difícil me convencer disso visto que isso tudo faz parte do meu trabalho.  Teimosa? Não ! Apenas fiel às minhas próprias convicções.

 



Escrito por Cris às 21h02
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Entre tapas e beijos (republicação a pedidos)

O conheci quando criança e de cara tivemos uma séria briga. Ele me machucou. Sim, talvez eu tenha sido um pouco distraída, mesmo assim não era motivo. Continuei brincando com ele, afinal todos brincavam e eu não queria ficar de fora, mas aprendi a ser mais cautelosa.

 

Cresci, me mudei, adquiri novos interesses. Com o tempo fui me afastando. O reencontrei a pouco, quando resolvi me exercitar na beira da lagoa. Dávamos longos passeios juntos. Fim de tarde de sábado, domingo de manhã... Ás vezes até nos dias de semana. Á medida que o preparo físico aumentava nosso relacionamento foi se intensificando. Os encontros passaram a ser quase religiosos e me esquecia do tempo em sua companhia.

 

Chegava em casa exausta, mas feliz. Naquele curto período eu conseguia pensar na vida, admirar as coisas, esquecer os problemas. Me sentia tão bem – beirando a felicidade. Aquelas pequenas alegrias que fazem a diferença. As pessoas me diziam que eu estava bonita. Eu pensava nele e sorria. Realmente o efeito estava começando a aparecer.

 

Por problemas alheios à minha vontade acabei me afastando de novo. Parei de ir à Lagoa. Não mais me exercitei. Não mais o vi. Um dia uma amiga me chamou para dar uma volta na Lagoa Seca. Não tinha a beleza da Lagoa da Pampulha, não tinha a água de coco no final do percurso, mas ele estava lá. Altivo como sempre, esbelto, lindo! Foi como se nunca tivéssemos nos separado. Uma sintonia invejável. Tudo se encaixava, era perfeito... Já me sentia bem de novo quando veio a punhalada.

 

Ele me machucou mais uma vez. Brutalmente, como na infância, mas mais forte: proporcional ao tanto que crescemos desde então. Dessa vez saiu sangue... Precisei ir a um médico e contar várias vezes para pessoas estranhas a experiência vivida. O constrangimento às vezes foi maior do que a dor, e essa não foi pequena – tive febre e fiquei de cama por um tempo. Sozinha, pensando na vida.

 

Hoje fazem exatamente 2 meses do nosso último encontro e , tocar no assunto (e no local), ainda me dói. Não mais o encontrei, mas o vi de longe, passando com uma outra garota. Aprendi a lição e não o quero mais. Troquei aquele violento Banco de Bicicleta por um par de patins. 



Escrito por Cris às 12h25
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Victória

A gente nasce, cresce, reproduz e morre com o mesmo sonho: Que no final tudo dê certo.

Apesar de toda a vida moderninha, de saia rodada e salto alto, carro próprio, emprego bom, todo mundo sonha com a vida de margarina: um amor para toda vida – no meu caso um moreno alto, bonito e sensual que me ame e eu ame também. Que a vida seja fácil, divertida, linda, feliz, sempre feliz. Que até tenha algum percalço, mas que esse termine rápido com um beijo enxugando a lágrima e à partir daí começaria o primeiro momento do resto de minha vida.

Porém nem tudo são flores, nem todo moreno é alto, nem todo alto é bonito, nem todo bonito é sensual e, estatisticamente falando, a chance de eu amar a quem me ama num mundo com bilhões de pessoas onde eu não tenho nenhum controle sobre o meu coração é um tanto quanto baixa... apesar de acontecer às vezes.

Acontece que essa foi uma semana feliz, em companhia de uma família feliz, em um momento maravilhoso e para mim esses ´´pedaços de vida´´ são o que eu chamo de felicidade.

Sendo assim, em busca de alguns outros  ´´pedaços´´ eu me entrego à Rosamunde Pilsher para viver um conto de fadas enquanto espero meu vôo, que infelizmente não é para a Escócia.

Dúvida cruel: Porque a maioria dos romances termina no casamento??  Depois dele tudo é lindo ou o romance acaba ali?



Escrito por Cris às 21h41
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Coincidência ???

Em feriado regado à filmes, vinho e chuva, aproveito o ventinho da noite para viajar por Paris.

Um casal se encontra num trem em Viena e passam a noite se conhecendo no filme anterior – sim, água com açúcar, mas uma gracinha (Antes do Amanhecer).  No filme de hoje – Antes  do Por do Sol ( não sei se conhecem), o mesmo casal se encontra após 9 anos.

Ainda estou nos primeiros 30 minutos de filme, mas algo me chamou a atenção. Após aquele embaraço tradicional de um reencontro inusitado, os dois conversam como se tivessem se encontrado ontem. Mesma fluidez, mesma sintonia, um conhecimento recíproco, contos, coisas, confidências, fatos.

Acontece que hoje eu me encontrei com um amigo e descobrimos que estamos fazendo 18 anos – a amizade atingiu a maioridade e talvez a maturidade. Ficamos vários anos sem nos encontrar, não sei dizer se os mesmos  9 – datas eu deixo com ele. Mas após algum embaraço do primeiro reencontro em terras paulista, agora conversamos com o mesmo desembaraço, fluidez, brincadeiras e tudo o mais de 10, 13, 15 ou 18 anos atrás.

Não posso comparar nossa situação com a do jovem casal: Eles eram apaixonados, se conheceram num único dia e estão num charmoso Bistrô em Paris saboreando um café e trocando confidências, enquanto nosso relacionamento teve toda uma infância e adolescência com direito a crises existenciais para agora chegar aos 18 anos de “convívio”, se é que posso usar essa palavra com tantos quilômetros envolvidos.

Acontece que um diálogo específico ouvido pela tela foi simplesmente idêntico a um trecho dessa tarde. Se a diferença entre o charmoso bistrô e a mesinha de shopping onde sentei com “pernas de índio” e um sanduba do Burger King não fosse tão gritante, eu diria que a sensação de Dejavu seria a mais perfeita falha da Matrix. Mas foi o mesmo olhar, a mesma brincadeira, a mesma observação, a mesma risada, a mesma cumplicidade.  

Sou sugestionável por natureza. Se o filme viesse primeiro, eu diria que o diálogo vinha do subconsciente que o guardara por algum motivo qualquer. Mas a recíproca não é verdadeira.

Também não estou aqui para entender o que acontece. Se a arte imita a vida, estou pronta para comemorar em grande estilo a maioridade de uma amizade, afinal, com 18 anos, já podemos tomar um “pileque”.

Agora preciso ir, pois já deixei meu amigo em casa e larguei os dois pombinhos no bistrô à minha espera  e o café deve estar esfriando.

...

45 minutos depois, ela é loira, neurótica e tem um gato. Mas toda a coincidência acaba aí.



Escrito por Cris às 00h50
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2 minerim

Mineirim: Vou pegar meu PFão e "imbópácádumí".

Mineirinha: voimbópácálavárôpa :

Mineirim: tôfóra, mióbópácácumêidumínénaum?

 

Mineirinha: é! Cêtemrazão

Mineirinha: vôimbópacádurmí.

Mineirinha: inte

 

Mineirim: Intéminhã!

Mnineirinha: Ah, eupópôesspedassdacunverssnoblog?

Mineirim: pópô

Mineirinha: bêjú



Escrito por Cris às 09h57
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Um gato entre os pombos

É impressionante o que uma única pessoa desagradável pode fazer com 1 semana de abstinência kármica.

“Seria tudo tão perfeito, se tudo fosse só isso.

Mas isso é menos do que tudo,

é menos do que preciso”

 

Encarar a desordem física ou neurológica, eis a questão !!!



Escrito por Cris às 14h47
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