|
|
Rascunhos
|
“Se na literatura busco recriar
a verdade que se esconde sob a realidade,
na vida corro o risco, às vezes fatal,
de recriar alguém que só existe na minha imaginação.”
- Fernando Sabino -
|
A primeira impressão é a mais forte...
... não necessariamente a que fica.
“Às vezes eu quero fechar os olhos para toda a sujeira em minha volta. Quero fechar os olhos para a burocracia, a incompreensão, a corrupção, a burrice, a incompetência, a falta de amor, o excesso de amor, a pobreza e a ganância. Tenho vontade de fechar os olhos permanentemente para a política, para as mentiras, para o abuso de poder, para a subestimação. Não quero ter que olhar para o lado e ver que meu colega que faz a mesma coisa que eu, ganha mais ou menos. Não quero olhar para baixo e ver o mendigo com uma ferida aberta. Não quero ver os olhos daquele que sofre. Não quero olhar para cima e, mesmo com os olhos bem abertos, não conseguir enxergar o céu. Não quero olhar para frente só para te ver partindo. Não quero ver as rugas no espelho nem os ponteiros da balança.
Seria muito fácil simplesmente fechar os olhos para tudo isso, mas ainda não me ensinaram como deixar de sentir. ”
Aí, agora que já passou um tempinho e leio novamente eu penso... quem foi que disse que não fechei os olhos? Nasci em Belo Horizonte com um clima perfeito, agora minha cidade está debaixo d’água. Eu moro em São Paulo – a terra da garoa – e mesmo com uma garoa um pouco mais forte, a cidade ficou debaixo d’água. E aí você me diz: “Qual a novidade? São Paulo vive debaixo d’água!” e eu digo: - Isso!
A cegueira branca já chegou. É normal a cidade encher d’água, acho mais que normal eu precisar colocar grades na minha janela, fazer seguro contra roubo, pagar um carinha para que ele vigie meu carro dele mesmo, ficar 2 dias na fila para conseguir um médico, morrer de fome num país onde a comida estraga em galpões, engarrafamentos de horas, propinas, corrupção, violência. Li em algum lugar que o livro tratava da “animalização” do homem. Eu incluiria mais um verbete no dicionário – desanimalização. Queria eu que vivêssemos com animais, lutando para sobreviver, matando pela comida, o poder como forma de organização.
Saramago é um cara que me faz pensar, analisar, mudar de opinião e acho que esse será um livro com vários posts.
Escrito por Cris às 21h17
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Como cão e gata
Vou apresentar para vocês a Bianca. Bianca apareceu na minha vida há uns 4 anos atrás quando fui à um gatil buscar uma gata persa que ganhei. No colo de um garotinho de uns 4 anos, que a segurava pelo pescoço no mais perfeito exemplo Fenícia, tinha uma bolinha de pêlos cinza clamando, ou miando, por ajuda. Foi paixão à primeira vista. Acontece que a minha gata persa de presente já estava paga, aquela bolinha de pêlos sem unhas no colo do garoto tinha como destino ser seu brinquedo de estimação. Para resumir a história, digamos que eu acredito que a gente faz o nosso destino, ou o destino da gata. Saí do gatil com duas bolas de pêlos cinza. Eram 3 filhotes de gato em casa e o único trabalho que a Bianca me dava era procurá-la. Ela passava 3 ou 4 dias sem ser vista. Só comia ou usava a caixa de areia no meio da madrugada. Não brincava com as outras, não dormia com as outras. Bom, minha gata eremita foi a única que sobrou do trio. Foi castrada, enfrentou 7 horas de estrada comigo cantando no carro, se mudou de casa 6 vezes em 3 anos a agora está acampada comigo na casa de uma amiga. Acontece que minha amiga tem um cachorro e agora vou apresentar para vocês o Fred. O Fred é um Chitzu branco e bege, peludo com os olhos esbugalhados. É o Gremlin mais lindo que já vi. Esperto, brincalhão, agitado, ligado a 220 e que não me deixa terminar esse texto. Se você bate ele acha que está brincando, se você briga ele acha que está brincando, se castiga ele acha que está brincando, se sai de perto ele acha que está brincado. Ele é o mais perfeito Odie (o cachorro do Garfield). E agora é essa a nossa rotina: A Bianca passa o dia se escondendo, o Fred correndo atrás da Bianca, eu correndo atrás do Fred e ninguém interessante correndo atrás de mim.
Escrito por Cris às 13h24
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
In - constância
Tenho enchido meu tempo de coisas fúteis Não consigo me concentrar no que é sério A mesma música de novo, e de novo, e de novo Lembranças, palavras, sensações Vejo os minutos correrem devagar O sono não acalenta O ar está pesado Um Email sem resposta Banho longo, água quente Seu cheiro no ar, sua voz Tentação, fixação, saudade O livro não me prende, o filme não acalenta A chuva que ameaça não cai Expectativa frustrada Impaciência... Insuficiência... O silêncio ronda E eu tento apenas acreditar na sua certeza. “Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ficar feliz.” (Saint Exupery)
Escrito por Cris às 16h18
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
No horário de Brasília
Tudo na vida tem um lado bom e a parte boa de estar àtoa é que posso assistir ao Jô sem nem um pingo de culpa na consciência. A culpa é porque o Jô começa tarde e sou uma garota dorminhoca que necessita de suas 8 horas diárias de sono. Para mim essas 8 horas poderiam perfeitamente começar as 3 ou 4 da manhã e se estender até as 11. Mas não é o que pensa o resto do mundo. Conheci alguém que acordava cedo todos os dias, mas nos finais de semana que podia, sempre dava uma dormidinha depois do almoço. Eu acordava cedo todos os dias – por pura obrigação. No final de semana também, porque ele me acordava. ‘’ Como pode alguém ficar assim simplesmente dormindo?’’ Acontece que eu não gosto nem consigo dormir à tarde, o que é uma benção, pois ninguém aturaria meu mau humor. Mas aí eu pergunto, que diferença faz se eu durmo até tarde pela manhã ou se eu me deito depois do almoço? Bom, independente do que pensam da minha pessoa, eu sei que o mundo não funciona no meu horário e eu, como uma garota que precisa pagar as contas, tenho que me adaptar ao mundo. Acontece que nessas férias inesperadas eu posso dormir às 4, acordar às 11, trabalhar, estudar, passear, comer, ler, rir, chorar, falar, escrever, comprar, limpar, correr e o que mais eu tiver que fazer nesse intervalo de tempo, com a vantagem de eu conseguir ocupar exatamente as 16 horas mais produtivas do meu dia. Eu chamaria isso de otimização de tempo, enquanto você pode chamar do que quiser, afinal de contas, o Jô me entende. Quando acabar esse minha folga, nada que uma noite sem dormir não resolva para acertar meu relógio biológico com o fuso do restante do mundo.
Escrito por Cris às 02h14
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Devaneios da madrugada
Ah... a convivência é uma coisa linda. A gente compartilha amores, comidas, lençóis e manias. Conheço uma pessoa que simplesmente odeia chinelos de dedo e apesar de eu não ter nada contra o tais chinelos, devo confessar que dificilmente você me verá usando – primeiro porque eu queria agradar, segundo porque acho meus pés horríveis e terceiro, bom, por causa da mania. Ok, existem as exceções: eu uso chinelos de dedos para fazer a unha e ir à praia. Porque eu estou falando isso ? Porque um carinha foi no programa do Jô de chinelos de dedo. - E o que tem isso ? Você não leu nada do que eu escrevi. Presta atenção: Um carinha que teve a honra de se apresentar no Programa do Jô foi de chinelos de dedo. Ele se levantou, falou, falou, falou, falou... falou com uma eloqüência tal que poderia ser até capaz de me fazer levantar da minha cama, ignorar minha sábia preguiça e até mesmo me fazer gastar meu dinheirinho para ir assisti-lo num teatro qualquer. Ele até poderia conseguir essa proeza se, somente se, eu não tivesse ficado simplesmente hipnotizada com aqueles chinelos de dedões errantes passeando para lá e para cá ao som de um bla, bla, bla, blabla, bla, blábláblá... E alguém pode me contar porque o Chinelo de dedo chama chinelo de dedo ? Acredito que o fato do dedão ter uma tira de borracha no meio possa explicar o fato. Mas, se assim for, qual seria o modelo tradicional de chinelos ? Aquele tipo Rider, com uma tira larga sobre o peito do pé e que quando molha dá chulé ? Esse outro modelo era o meu preferido por causas das meias. Apesar que as Havaianas lançaram as meias com dedinhos, mas sempre tive a impressão que devem provocar coceira. No dia-a-dia , ou noite-a-noite, que é quando eu uso – ou deveria usar – chinelos, eu sou mesmo adepta da meia no chão ou das pantufas de pelúcia. Sim, já fui buscar pizza na portaria do prédio com o Coiote no pé e atender o entregador da farmácia com o Frajola. Mas eles não eram o Jô e não estavam me filmando (eu acho). Ok, entendi. Eu, com minhas meias encardidas, estou aqui falando dos chinelos do rapaz. Acho que estou com inveja da liberdade dele de sair – e entrar - por aí de chinelos. E só por isso vou ali pintar as unhas de vermelho – das mãos! As dos pés eu ainda não estou pronta.
Escrito por Cris às 02h44
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
10 coisas que odeio em você
Odeio ter que conversar com você por email, restrita ao digitar das letrinhas sem emoção Odeio ficar olhando a tela simplesmente esperando que você me responda de volta Odeio a facilidade com que conseguimos fugir de perguntas perturbadoras Odeio a minha impotência quando invento desculpa para te ligar Odeio as mãos tremendo, a voz que se torna estridente, as palavras ensaiadas que simplesmente somem Odeio essa tentativa de controle, essa falsa racionalidade, essa paixão contida Odeio ter que entender Odeio esperar Odeio ... Odeio você longe de mim
Escrito por Cris às 18h57
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Como? Onde ? Por que?
/)/) ( º.º) o(_(")(") DÚVIDAS PASCOAIS
- Papai, o que é Páscoa? - Ora, Páscoa é ...... bem ...... é uma festa religiosa! - Igual Natal? - É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição. - Ressurreição? - É, ressurreição. Marta, vem cá! - Sim? - Explica pra esse garoto o que é ressurreição pra eu poder ler o meu jornal. - Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu? - Mais ou menos ....... .Mamãe, Jesus era um coelho? - Que é isso menino? Não me fale uma bobagem dessas! Coelho! Jesus Cristo é o Papai do Céu! Nem parece que esse menino foi batizado! Jorge, esse menino não pode crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensou se ele solta uma besteira dessas na escola? Deus me perdoe! Amanhã mesmo vou matricular esse moleque no catecismo! - Mamãe, mas o Papai do Céu não é Deus?> - É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Você vai estudar isso no catecismo. É a Trindade. Deus é Pai, Filhoe Espírito Santo. - O Espírito Santo também é Deus? - É sim. - E Minas Gerais? - Sacrilégio!!! - É por isso que a Ilha da Trindade fica perto do Espírito Santo? - Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é o Espírito Santo de Deus. É um negócio meio complicado, nem a mamãe entende direito. Mas se você perguntar no catecismo a professora explica tudinho!
- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa? - Eu sei lá! É uma tradição. É igual a Papai Noel, só que ao invés de presente ele traz ovinhos. - Coelho bota ovo?
- Chega! Deixa eu ir fazer o almoço que eu ganho mais! - Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa? - Era, era melhor, ou então urubu. - Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, né? Que dia que ele morreu? - Isso eu sei: na sexta-feira santa. - Que dia e que mês? - ??????? Sabe que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no sábado de aleluia. - Um dia depois. - Não, três dias. - Então morreu na quarta-feira. - Não, morreu na sexta-feira santa ....... ou terá sido na quarta-feira de cinzas? Ah, garoto, vê se não me confunde! Morreu na sexta mesmo e ressuscitou no sábado, três dias depois! Como? Pergunte à sua professora de catecismo! - Papai, por que amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua? - É que hoje é sábado de aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus. - O Judas traiu Jesus no sábado? - Claro que não! Se ele morreu na sexta!!! - Então por que eles não malham o Judas no dia certo? - É, boa pergunta. Filho, atende o telefone pro papai. Se for um tal de Rogério diz que eu saí.
- Alô, quem fala? - Rogério Coelho Pascoal. Seu pai está? - Não, foi comprar ovo de Páscoa. Ligue mais tarde, tchau. - Papai, qual era o sobrenome de Jesus? - Cristo. Jesus Cristo. - Só? - Que eu saiba sim, por quê? - Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido, não acha? - Coitada! /)/) - Coitada de quem? ( º.º) - Da sua professora de catecismo. o(_(")(") Recebi por email como sendo do Veríssimo.
Escrito por Cris às 10h47
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
en boca cerrada no adentra mosquito
O aniversário da minha mãe está chegando e eu descobri que o Julio Iglesias estaria cantando por aqui e foi aí que surgiu a grande idéia: Vou levar minha mãe ao show! Minha idéia brilhante esbarrou num pequeno detalhe: o valor do ingresso. Seriam 2 ingressos, mais a viagem de ida e volta, mais o final de semana com passeios e ... bom, digamos que meu orçamento não estava esperando esse pequeno mimo. Minha mãe bem que merece, mas não carece. Então veio a segunda brilhante idéia. Meu irmão poderia cantar e embalar os ouvidos da mamãe, e eu, de quebra, teria assunto para importuná-lo o resto da vida. Por que ele faria algo tão imbecil? Todo mundo tem seu preço e irmãos têm desconto... A idéia foi semeada e aí precisava de água para crescer né. Liguei para ele, do meio da rua e cantei... Mas não cantei simplesmente, eu cantei com vontade, lembrando os trejeitos, imitando a voz de conquistador, até fechando os olhos: ´Besame, besame mucho...Como sí fuera esta noche La ultima vez. ´ - nessa hora eu me empolguei - ´Besame, besame mucho. Que tengo miedo perdeste, perdeste depués. ´ Aí eu parei para atravessar a rua, calei a boca e escutei aquela gargalhada... uma gargalhada QUE NÃO ERA DO MEU IRMÃO!!!!!! Eu liguei para um cliente do trabalho e cantei Besame Mucho para ele, com voz de taquara rachada e nem consegui pedir desculpas porque comecei a gaguejar. E se não consegui pedir desculpas, imagina se consegui ao menos tentar explicar o porque desse show particular de minha loucura. Em algumas horas minha rotina de trabalho volta ao normal, terei que conversar com o dito cujo e me apresentar calma, concentrada e coerente. Qual a chance de ele me levar à sério de novo?
Escrito por Cris às 23h27
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Pegadas
É impressionante como um livro pode carregar tanta história, e não estou falando da história descrita, e sim da sua própria história. Tenho em minhas mãos um livro bem cuidado, mas com algum desgaste na capa começando a ser notado, um nome com endereço, algumas páginas marcadas pelo uso revelando que ele tem cumprido bem seu papel de difundir ou, eu poderia até arriscar a dizer, se difundir. Fui uma leitora precoce – tanto na idade quanto nos títulos escolhidos. Me lembro de percorrer a enorme estante da sala com filas de livros, lembro de abri-los aleatoriamente para ver se gostaria da escrita – até hoje, minha maneira de escolher um livro. Lembro de livros de páginas amareladas – meus preferidos. Lembro dos carimbos com as iniciais dos meus pais nas lombadas, lembro de uma tinta verde com o nome de minha avó, de quem peguei emprestada a caligrafia do A que uso até hoje. Lembro de manchas que diziam que aquele livro acompanhou algum rápido lanche ou de orelhas mostrando o sono do leitor. Trechos grifados, insinuando o gosto de seu dono. A poeira em meu nariz, lembrando o abandono daquele exemplar. Esse livro errante que roubou meu sono saiu do Rio, chegou a uma mineira erradicada em Sampa, vai percorrer um pedaço deste Brasil antes de voltar para casa. Junto com ele segue um postal como forma de agradecimento, a marca de uma lágrima que não segurei e todos os outros indícios de leitura que ainda serão deixados para sua dona, formando a própria memória daquele que segue contando a memória de um outro livro. E eu que nunca tinha pensado na história além da própria história. ´Então, por que um iluminador que trabalhava na Espanha, para um cliente judeu, à maneira de um cristão europeu, teria usado um pincel iraniano? ´ (As Memórias do Livro – Geraldine Brooks)
Escrito por Cris às 01h34
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
E o selo vai para...
... O RASCUNHOS... Ganhei esse selo da Katy (http://pensamentosehistorias.zip.net/). Ela não é um amor? 
Valeu Katy. Thank you !!!
Escrito por Cris às 21h07
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Do Jó
Todo mundo sabe o que eh o certo. Sera? Matar eh errado. Todo mundo sabe isso? Que jogue a primeira pedra quem nunca achou que Beira-mar devia estar morto a muito tempo? Ainda assim, mesmo desejando a morte dele, imagino que as pessoas ainda tem conciencia que isso eh errado. Sera que os indios que vivem perdidos no meio da amazonia, e que tem conflitos com as tribos vizinhas acham que matar um oponente eh uma coisa errada? Ou sera que matar um oponente eh algo que tem que ser feito? Imaginando que todo ser humano tenha essa conciencia, que matar eh errado, entao surge mais uma pergunta: se matar outro ser humano eh errado, por que matar outros seres nao eh errado? Cadeia alimentar eh a primeira coisa que vem a minha mente: alguns animais sao carnivoros e precisam matar outros animais pra se alimentar. Otimo! Isto tira da lista de culpados todos os carnivoros. Porem, abre mais um leque de perguntas: seres humanos sao mesmo onivoros? Sera que deveriam comer so vegetais? E com a chegada destas perguntas, o foco sobre sabermos sobre o que eh certo fica cada vez mais longe... E como todos sabem, este tipo de fenomeno eh causado por escritores entediados sentados em avioes procurando assuntos para escrever! Tive sorte neste voo e sentei sozinho num grupo de cadeiras, e ja tratei de ocupar todas tres. Ao meu lado, tem uma menina que tambem ta sozinha num grupo de tres cadeiras. Ela ta com um caderno escrevendo. A primeira coisa que pensei, que tipo de pessoa fica escrevendo num caderno em pleno aviao. De repente comecei a achar isso gracioso: a maneira como ela segura o caderno, apoiado na mao esquerda, como faziam as meninas na epoca que eu estava no colegio; ela segue escrevendo com longas pausas, com direito a olhar perdido e mordidas na caneta. Ela comecou escrevendo sentadinha no lugar dela, depois foi ocupando a cadeira vizinha para apoiar o caderno em cima do joelho, depois ela deitou nas tres cadeiras e continuou escrevendo e escrevendo. Ela eh bonita. Nao bonita de mentira como as pessoas da tv, ela eh bonita como mulheres tem que ser: tracos finos, delicados e serios. Ahh, eu nao podia deixar de lado, ela tem o olhar perdido, e nao ha nada mais poetico do que isso. E quanto mais escrevo a respeito dela, mais envolvido eu fico e vou criando uma pseudo-paixao platonica pela menina de jeans e camisa preta de mangas compridas. E quanto mais isto cresce, mais eu percebo que tudo eh de mentira. Ela ta escrevendo, e eu pagaria fortunas para saber sobre o que. E no momento que eu descobrir, tudo vai acabar. Tudo vai acabar porque eu vou descobrir que ela eh uma menina real, com problemas reais, escrevendo para expulsar seus demonios. Talvez escrevendo uma carta para o amor da sua vida que esta lhe abandonando, ou um poema sobre como eh dificil sentir tanta coisa dentro de si e ao mesmo tempo ter que esta pronta para o mundo (tudo isto em cima de um salto), ou quem sabe sobre todas as aventuras surreais que ela imagina enquanto escova os dentes olhando para o espelho pela manha. Tudo vai acabar porque eu descobri o que ela ta escrevendo e o que era um mundo de possibilidades, virou so uma certeza. E antes de tudo acontecer, ela me perguntou as horas, apagou suas luzes, deitou-se e foi dormir. (Gentilmente cedido pelo Jó)
Escrito por Cris às 20h11
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Que trocar?
- Você troca essa Mercedes ML320 - que você não tem - por uma garrafa de Coca-cola? Troquei a mordomia de um apartamento na zona sul, com café na mesa, almoço delicioso e colinho de noite por um apartamento grande, velho, vazio e extremamente querido. Troquei toda a sensação de “estar em casa” pela casa dos sonhos – amarela, jardim na frente com pinheiros, varanda com redes, gramado nos fundos e uma jabuticabeira. Troquei o tumulto da casa pela calma de um apê do tamanho da sala da casa perfeita, mas lindinho lá onde Judas perdeu as botas. Troquei a calma por uma chance numa cobertura com lareira, piscina e fantasmas. Troquei o certo pelo duvidoso, indo direto para um quarto e sala de alto padrão em São Paulo. Troquei o temporário por um apê – 2 quartos e sala – velho, torto, mas aconchegante e que ainda cabe relativamente bem minhas coisas. Troquei os gastos por uma companhia numa varanda no alto do morro, com a linda vista de uma construção. Troquei o trânsito pela praticidade de uma casa de pombo e outra construção. Estou me sentindo dentro daquela cabine do Silvio Santos: “- Você troca sua quase nova mesa triangular, linda, com 6 cadeiras que não cabem na sua casa por uma bola de sorvete?”
Escrito por Cris às 13h50
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Não quero luxo, nem lixo
Não sei se sou eu que ando muito inocente ou se o mundo é REALMENTE muito cruel. Quando a tal moça foi “atacada” na Suíça eu fiquei horrorizada com o que estava vendo. Quando disseram que era uma farsa eu fiquei com raiva. Como podiam descartar tão fácil assim um crime desses com uma desculpa tão esfarrapada? Aí me convenceram que realmente era uma fralde e eu penso: “quem em sã consciência faz uma coisa dessas consigo mesmo? Uma possível indenização vale isso? Tem que pagar quanto? ” Aí fechei os olhos para os jornais. Na telona vi um cara arrancar os olhos de um menino, porque cantores cegos arrecadam mais dinheiro. Na telinha um carinha come cogumelos com bochechas. Nas páginas dos livros eu me escondi da chuva com um garoto de pijama listrado. Tentando ver a vida real pela internet, me deparei com orkuts clonados, mensagens sabotadas, privacidade rompida, suspiros, conversa mole, mentiras, seduções, amores perdidos... e chorei como a muito tempo eu não chorava. Eu quero chuva, eu quero sol, eu quero praia, eu quero frio, eu quero um cobertor, eu quero um colo, eu quero um amor, eu quero um píer.
Escrito por Cris às 16h19
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Ruivas dão azar
Eu sempre achei que aqui se faz, aqui se paga e hoje foi só mais uma amostra do quanto eu estou certa nesse quesito. Encontrei alguém que eu não via a muito, MUITO tempo. Ouvi coisas que eu precisava ouvir. Percebi o quanto eu fui e, em se tratando do mesmo assunto, eu ainda sou inconseqüente. Vi o quanto se pode magoar alguém, mesmo não sendo essa a intenção. Comprovei a teoria do efeito borboleta e preciso seguir em frente sabendo que nada muda o que passou. Estou triste, com a consciência de ter magoado alguém a 10 anos atrás, e outro alguém a 4 anos, e outro a 2 anos e outros a alguns meses. Eu poderia escrever inúmeras palavras em minha defesa – mas seria inútil para você que me lê sem ter a mínima idéia do que estou falando, seria inútil para os envolvidos que não estão interessados em desculpas, seria inútil ara mim por saber que desculpas não curam mágoas. A única coisa que posso fazer é me recolher à minha significância – sim, eu significo muito para muitas pessoas – assumir as conseqüências dos meus atos e seguir em frente com mais esse aprendizado. Nada muda o que passou, mas pode mudar o que virá. O carnaval acabou, o ano começou, postei algo ainda em fevereiro. E que venha 2009.
Escrito por Cris às 23h47
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Ensaio sobre a cegueira - Saramago
Às vezes eu quero fechar os olhos para toda a sujeira em minha volta. Quero fechar os olhos para a burocracia, a incompreensão, a corrupção, a burrice, a incompetência, a falta de amor, o excesso de amor, a pobreza e a ganância. Tenho vontade de fechar os olhos permanentemente para a política, para as mentiras, para o abuso de poder, para a subestimação. Não quero ter que olhar para o lado e ver que meu colega que faz a mesma coisa que eu, ganha mais ou menos. Não quero olhar para baixo e ver o mendigo com uma ferida aberta. Não quero ver os olhos daquele que sofre. Não quero olhar para cima e, mesmo com os olhos bem abertos, não conseguir enxergar o céu. Não quero olhar para frente só para te ver partindo. Não quero ver as rugas no espelho nem os ponteiros da balança. Seria muito fácil simplesmente fechar os olhos para tudo isso, mas ainda não me ensinaram como deixar de sentir.
Escrito por Cris às 16h28
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|
 |
|
|