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Rascunhos
“Se na literatura busco recriar
a verdade que se esconde sob a realidade,
na vida corro o risco, às vezes fatal,
de recriar alguém que só existe na minha imaginação.”
- Fernando Sabino -

Ensaio sobre a cegueira - Saramago

Às vezes eu quero fechar os olhos para toda a sujeira em minha volta. Quero fechar os olhos para a burocracia, a incompreensão, a corrupção, a burrice, a incompetência, a falta de amor, o excesso de amor, a pobreza e  a ganância. Tenho vontade de fechar os olhos permanentemente para a política, para as mentiras, para o abuso de poder, para a subestimação.  Não quero ter que olhar para o lado e ver que meu colega que faz a mesma coisa que eu, ganha mais ou menos. Não quero olhar para baixo e ver o mendigo com uma ferida aberta. Não quero ver os olhos daquele que sofre.  Não quero olhar para cima e, mesmo com os olhos bem abertos, não conseguir enxergar o céu. Não quero olhar para frente só para te ver partindo. Não quero ver as rugas no espelho nem os ponteiros da balança.

 

Seria muito fácil simplesmente fechar os olhos para tudo isso, mas ainda não me ensinaram como deixar de sentir.



Escrito por Cris às 16h28
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A volta de Aninha

Ah... as mulheres. Tão metódicas, tão emotivas, tão... idiotas!

Ana Silvone, nossa heroína do nordeste, sobrevivente da cidade grande já a 2 anos, 3 meses e 4 dias, se achava a tal. Terminou o namoro de uma vida com Delfino, saiu com o vizinho, beijou a Claudinha, trocou de emprego, alisou o cabelo e até se equilibra num salto alto.

Ainda sente  uma certa dificuldade ao andar de ônibus com essa nova moda fashion. Se levanta o braço para se segurar, a blusa sobe e quem está sentado fica fungando em seu umbigo. Se ela abaixa o braço para segurar no banco, o decote desce e aquela parcela mais alta da sociedade (90%) tem acesso a uma visão panorâmica daquilo que ela ainda não acostumou a mostrar.

Da vida passada restaram sua família no sertão, que ela visita religiosamente uma vez ao ano; o sotaque, que ela desconfia nunca conseguir perder e uma lista mental de lembranças que ela classifica como “isso não”.

“No bailão sertanejo:

- Ana, dança comigo?

- Isso não. Essa foi a primeira música que dancei com Delfino. Fica assim, meio sem respeito sabe?”

 

“ Em casa:

- Aninha, peguei essa colcha no seu guarda-roupa que...

- Ai Meu Deus! Isso não. Essa colcha era do meu enxoval com o Delfino. Vô pegá um outro cobertô lá procê.  Ésss daqui tem que ficar engomada e com naftalina que é pros bicho num cumê.“

 

“ No telefone:

- Silvone, o filho de Rosana Lúcia nasceu e vai se chamar Reginaldo.

- Não maiinha... isso não. De jeito nenhum que Rosana Lúcia pode chamar de Reginaldo o filho dela. Esse seria o nome do meu terceiro filho com Delfino. Já pensô  o que ele vai achá? Isso não!

- Jesus, Maria , José. Então num pode messsm. Mas como vai chamar então esse minino que até para casa já foi?

- Ah maiinha, põe nele o nome de vô mais o do pai da criança: Astolfo Ricardo.

- Ai Minha Nossa Senhora, que nome mais bunito. Vou dá um chego lá na casa de Rosana Lúcia para dizê a ela.

- Isso sim.“

 

E de “isso não” e “isso sim” Ana Silvone  embarcou no ônibus para sua terra à caminho do batizado de Astolfo Ricardo. Ela pôs nome, ela tem emprego na cidade, ela ajuda a cuidar.

Chegando em casa, levou uma bronca da mãe pelo banho demorado, levou uma bronca do pai por causa das pinturas na cara, pegou um sapato emprestado da irmã (ela só tinha levado salto) e foi comer um arroz de leite com o irmão.

“- Tem visto Delfino? – é impressionante como tem certas coisas que a gente não consegue largar na vida.

- Vejo sempre na pelada.

- Ah, ele ainda joga?

- Claro. Por que não?

- E você, o que tem feito?

- Trabalhado com Delfino.

- Ah, ele ainda trabalha na fábrica?

- Claro. Por que não?

- Vamu jogá sinuca no Tião hoje.

- Vocês ainda vão para lá enchê a cara?

- Claro. Por que não?

- Alguma coisa mudou nesse lugar.

- Mudou.

- O que?

- Você.

- Eu não moro mais aqui.

- Pois é. – e levantou.

- Onde cê vai?

- Encontrar com Delfino.

- Onde?

- Naquela casa.

- Que casa?

- Aquela sua mais dele.

- Aquela casa?

- É.

- Isso não. Aquela casa era onde eu ia morá mais ele depois do casamento.

- É.

- Ele mora lá?

- Mora.

- Isso não.

- Isso sim. Aquelas coisas docês foi tudo prá lá.

- Isso não. São as coisa que escolhi para casamento.

- Isso sim.

- Eu vô lá falá com ele. Ele não pode fazer isso comigo.

- Isso não. Afrozina não vai gostá nada disso.

- Afrozina? A Afrozina vizinha da tia da irmã de leite dele?

- é.

- A Afrozina que me traiu com ele?

- A Afrozina com quem ele te traiu.

- Afrozina mora lá?

- Mora.

- Afrozina mora na minha casa?

- Mora.

- Como se não bastasse ela ficar com meu namorado, ela ficou com a minha casa?

- E com sua cama, e com a geladeira da vó, e com os pano que você bordô.

- Isso é que não.

- Isso sim. “



Escrito por Cris às 12h08
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Benjie Button

Ou  estou passando por uma TPM fora de época ou o mundo anda muito triste. As lágrimas viraram uma constante nos meus dias, enquanto vivo as vidas que vejo na tela.

Resolvi que o sábado seria diferente. Queria mergulhar na vida de Sampa: parque, vinho, massa, cinema, livros, cultura.

Entre um vinho e uma torta, conheci um velhinho de Nova Orleans .  Envelheci quando ele nasceu, aprendi com ele, cresci com ele,  amei com ele (para não dizer amei a ele!!! Quem não amaria?), vivi com ele e... chorei por ele.

O mais estranho foi sair das entranhas de Nova Orleans  e cair na Paulista.   O rio e o concreto. O azul e o cinza. O lá e o cá. O conhecido e o novo.  O jazz e o barulho da cidade.

Uma caminhada pelas alamedas, um banho quente, velas e o aconchego de um pijama azul. Agora é colocar New Orleans na lista de lugares a conhecer.

 PS 1: Meninas, já pararam para pensar que existe no mundo uma dona que dorme e acorda TODOS OS DIAS com esse Deus Grego?

PS 2: Meninos, já pararam para pensar que esse Seu Zé, dorme e acorda TODOS OS DIAS com aquele espetáculo que é a mulher dele?

PS 3: Um link legal sobre a história: Blog dos Quadrinhos (Texto do dia 26/01/2009)



Escrito por Cris às 09h41
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Domingo

Tem coisa mais estranha do que assistir O dia depois de amanhã, com essa chuva caindo lá fora?

Vou ali pedir uma pizza.



Escrito por Cris às 20h45
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Júlio e Sabrina em ... O Reencontro

Eles se encontraram assim, meio que de repente, sem ninguém esperar. Ela com o telefone na orelha, ele andando rápido como se fugisse daquele lugar.

- Alô!

...

As palavras não saiam, apesar da boca aberta.

- Senhora, qual o endereço para o taxi?

...

Os olhos não se desgrudavam.

- Senhora?

- Oi - ela conseguiu balbuciar

- Senhora?

- Oi - respondeu ele, e ficaram ali, parados,

- Senhora? - pin pin pin pin

As pessoas se desviavam dos dois, o tempo fechava lá fora mas as palavras não saiam. Era como se existisse uma telepatia mútua, onde tudo era entendido

´Nossa, que saudade de você!´

´Eu sei. Você está linda´ - olhando direto nos olhos

´Obrigada.'

'Uau... não sei o que dizer´

´Não precisa dizer nada. Só continue aqui, me olhando, como se nunca tivéssemos nos separados´

- Oi.

- Oi.

- Tudo bem?

- Tudo.

- Eu não acredito.

- Eu sei.

- Tem muito tempo...

- É.

Novo silêncio.

´Como consegui ficar longe de você tanto tempo?´

´Não conseguiu. Se tivesse conseguido, estaria feliz´ - pensou isso e segurou a lágrima.

- Preciso ir.

- Foi bom te ver.

O vento soprou forte e ela se afastou. A tal lágrima desceu.

- Ei. - ela parou - por que você não se casou comigo?

- Porque você se casou com ela.

- Entendo.

Novo silêncio.

- E porque se casou com ela?

- Por que você não me quis.

Um soluço cortou a voz, o vento grudou o cabelo nas lágrimas, o nariz estava uma bola vermelha e toda a beleza daquela cena se transformou no ridículo da estupidez humana. Ela entrou no taxi onde chorou as mágoas com o próprio motorista de taxi, que aproveitou a deixa para fazer uma cantada e ele voltou para casa, onde a mulher o esperava com um macarrão branco ao alho sem sal.



Escrito por Cris às 23h12
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Os últimos dias

7 vidas e um rosto manchado de lágrimas

 Milhares de cegos e vários olhos que se recusam a enxergar

 Um corpo cansado e várias horas de sono desperdiçado

O mundo inteiro olhando para um único presidente

Um único Deus vendo seus filhos se explodirem

Teclas demais e pontuação de menos

Kilos demais para um corpo só

Muitas dúvidas para 2 únicos neurônios

Muito trabalho e eu só quero um píer, um galpão, um cachorro e um amor.



Escrito por Cris às 23h39
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Tic-tac... Tic-tac... Tic-tac...

 

Hoje eu marquei com uma amiga: torta, filme, bate-papo... mas tudo que quero é ficar aqui. Eu preciso do aconchego da minha cama, do carinho do meu travesseiro, do abraço do meu cobertor. Eu quero o sussurro da chuva, o frescor do ar condicionado (a janela está fechada) e o ronronar da minha gata.

 

Hoje eu não quero ter que pensar, eu não quero ter que sorrir, não quero ter que falar - sim! Eu , Cris, quero ficar calada, vivendo a história de um outro alguém do outro lado da tela. Quero que minha única ocupação seja o virar de páginas. Que meus movimentos se restrinjam em rolar na cama.

 

Acontece que marquei com minha amiga. O tempo está passando, eu continuo aqui. Ainda não tomei banho, ainda não me vesti, ainda não sai. Também não estou deitada, também não estou lendo e meu travesseiro continua abandonado.

 

Toda essa falsa tristeza é sinônimo apenas de muito cansaço, proveniente de várias noites mal dormidas com manhãs de despertador e dias de trabalho. Eu deveria largar tudo e tomar um banho. Deixar que a água quente do chuveiro caia no corpo no mesmo ritmo da chuva lá fora. Eu deveria me melar de creme, escolher um pijama branco e me enroscar na cama com um pote de sorvetes ou uma taça de vinho. Andar de meias no chão até a estante, ficar em dúvida entre o Al Pacino e o Saramago. Curtir com os cabelos molhados os últimos minutos de consciência desse sábado...

Só que hoje eu marquei com uma amiga... e estou atrasada... e estou aqui... e estou sentada... e estou com sono... e estou parada... e estou passada.



Escrito por Cris às 20h32
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Mulheres são de Vênus

 A mina conheceu o mano, o mano cantou a mina e a mina caiu de amores. O mano tinha uma outra mina, mas ... " ah, que que tem? É só para curtir mesmo.".

 Os dois saíram por um tempo quando o mano começou com uns  'papo estranho':

- Acho que não te dou a atenção que você merece.

- Eu quero dar o fora nela, mas tem que esperar a hora certa. Cê sabe né?

- A mina é louca, se eu terminar ela se mata.

- Eu te amo, mas não te mereço.

- Seria melhor para você se eu não existisse, gata.

 

A mina (a nossa da história) perdeu a cabeça e terminou. A mina perdeu as estribeiras e chorou. A mina perdeu os sentidos e desmaiou. A mina perdeu o orgulho e ligou.

- Te amo gata, mas é melhor assim. Você vai ficar bem.

A mina perdeu o rebolado,  5 kg e me ligou:

- Vou ligar.

- Não liga !

- Por que?

- Porque ele não te quer.

- Quem te disse?

- Ele te disse!

- Ele não me disse. Ele disse que me ama.

- Ele te ama e está com a outra.

- Mas se ele a largar ela se mata.

- Hum hum.

- O que eu faço?

- Fica quieta.

- Tá bom.

...

- Vou ligar.

- Não liga.

- Mas não estou agüentando.

- OK, se você ligar, o que vai falar com ele.

- Que quero voltar.

- E se ele não quiser?

- Ele tem que querer. Quando eu disse que iria terminar, ele deveria ter sido contra e me convencido que eu estava errada. Isso quer dizer que eu apenas fiz o que ele queira que eu fizesse. Eu tenho que voltar com ele para poder terminar na HORA QUE EU quiser terminar. Você entende?

- kakakakaka... Acho que eu preciso me apaixonar por um mano.

- Como assim?

- É uma excelente maneira de eu perder 5 kg em 2 semanas e ficar linda para o próximo da fila.

 



Escrito por Cris às 14h44
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Quem me diz o que aconteceu?

 

Qual foi a última vez que você, impaciente,  ficou esperando um telefone tocar?

E quando foi a última vez que sua barriga gelou quando o telefone tocou?

E quando foi que aquele sorriso em seus lábios perdurou  todo o dia?

Será que está acontecendo de novo?

Será que pode?

Será que será?



Escrito por Cris às 17h21
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Garoto de família

 

De repente o mocinho cresceu e ganhou o mundo.  Fez amigos, conheceu pessoas, arrumou emprego, se meteu em encrenca. Tudo muito normal  e a família diz:

- Que lindo !!!

Acontece que o mocinho largou emprego e trabalhou na encrenca. Voltou para casa, brigou com a mãe, xingou o pai, empurrou o irmão, fugiu de casa, chorou com a tia, lembrou da avó e na casa dela ficou.

- Tadinho. É uma fase...

Em uma crise de revolta a vó dançou, a geladeira quebrou, a mesa caiu, a cama voou e ele? Chorou.

- Ah, ele está doente.

Voltou para casa. Xingou a mãe, empurrou  o pai, ignorou  o irmão, chorou em casa, fugiu da tia, voltou para a avó e por lá ficou.

-  Ele vai melhorar. Deus é pai. Tem até emprego novo...

No emprego faltou, a grana acabou, os amigos sumiram, a meia furou, a vida apertou e a revolta voltou. Bateu  na porta, bateu na mesa, bateu na parede, bateu no vidro, bateu no guarda, bateu na cadeia, bateu no fundo do poço.

- Conversa com ele. Ele te escuta.

- Conversar o que?

- Ele está doente

- Então ele precisa de um médico, não de mim.

 

...

- Oi

- Oi

- Tudo bem?

- Pareço bem?

- Não.

- Então para que pergunta?

- O que você tomou?

- Nada. Estou doente.

- Sei. O que você tomou?

- Nada. Já disse

- Hamham... O que você tomou?

- Que saco. Foi para isso que veio aqui?

- Sim. O que você tomou?

- Só umas coisinhas leves.

- Leves?

- Sim, leves. Não sou viciado.

-  Leves Sem Danos

- Ahn?

- Deixa para lá.

- Estou doente, me tira daqui.

- É, eu também. É mais fácil ficar doente, quebrar tudo que é dos outros e sair por aí sem rumo do que acordar cedo todos os dias, trabalhar,  pagar as contas e enfrentar os problemas.

 

...

 

- Conversou com ele?

- Conversei.

- E aí?

- E aí que eu descobri que estou doente. Mas meu caso é simples. Preciso apenas de carinho, atenção, roupas de marca, um carro  e muitos sapatos (estou doente mas não estou morta). À partir de agora você é responsável por mim e por minhas ações. Tudo que EU fizer poderá ser usado contra VOCÊ no tribunal, não sei permanecer calada (faz parte da doença), tenho direito a faniquitos e estou sob o respaldo da lei.



Escrito por Cris às 19h11
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Como surge uma novela...

 Capítulo 5, cena 43... AÇÃO!

AnJo diz: ...Você podia ter me acordado pra dar tchau,  ai eu te entregava seu presente no nascer do sol. Eu estava só esperando o momento ideal

Cris diz:

o sol ainda não tinha nascido...estava totalmente escuro e chovendo quando saí

AnJo diz:

melhor ainda: Ttu indo embora... o céu caindo

Cris diz:

kakakakakakakakakakakakaka

AnJo diz:

Colocava uma musiquinha de fundo... "show must go on ". Tu sairias com lágrimas nos olhos

Cris diz:

não conhecia esse seu lado romãntico e irônico

AnJo diz:

Que mentira . Eu gosto de  Queen e de Sinatra,  como não seria romântico ?

Cris diz:

faz sentido

AnJo diz:

Eu sei, apesar d'eu não fazer sentido, algumas coisas em mim fazem.

Cris diz:

Mas aí ficaria tudo muito triste, preferi deixar um recadinho no guardanapo. Eu iria deixar no espelho, mas meu batom custou muito caro.

AnJo diz:

Entao melhor trocar a trilha Sonora. Eu troco "show must go on" por  "leaving on a jet plane"

AnJo canta:

"cause i'm leaving on a jet plane... don't know when i'll come back

Cris diz:

Essa agora vai virar nossa música

Pausa para ouvir a música

http://br.youtube.com/watch?v=NLqnbEfWkNA

Cris diz:

(ao som da música) Estou me vendo  saindo de sua casa, você  dormindo no sofá,  roncando

AnJo diz:

eu nao ronco

Cris diz:

Eu indo embora, caindo de sono... vc sonhando com uma ruiva qualquer, minha mala quebrada, eu tropeçando no meu vestido longo,    o cabelo que voê não gosta despenteado e eu nem disse Tchau

Cris canta:   

"You never say good Bye... why love why? Why do flowers dye? Why Love why? Ahah "

 

AnJo diz:

E eu fiz tudo certinho, ate coloquei os pés pra aquecer os seus.

Cris diz:

e como eu deveria te acordar Belo Adormecido? Com um beijo?

AnJo diz:

Claro! Nunca viu o manual pra acordar cavalheiros  inocentes?

Cris diz:

Aí você teria que se casar comigo... nunca viu a historinha?

AnJo diz:

Nao não., Isso é se o mocinho acordar a mocinha.

AnJo diz:

Na versão contrária a mocinha dá o beijo e o cara continua dormindo. Ai ela da uma malada nele e ele acorda

Cris diz:

Eu não sabia da parte da malada por isso o beijo não funcionou !

AnJo diz:

quer dizer q eu fui assediado na calada da noite ??? Sempre sonhei com isso. Filmaste, pra eu mostrar pros meus amigos?

Cris diz:

Não filmei... mas pode contar que eu confirmo tudo.

Cris  diz:

Te amo!

AnJo diz:

Eu sei.

Corta !!!

(Baseados em conversas reais, mas editadas a meu bel prazer)



Escrito por Cris às 17h42
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No Caldeirão do Huck

 

A primeira tarde de sábado do ano e eu pulando que nem pipoca para fugir das pulgas que infestam meu apartamento e vendo Luciano Huck. Alguém merece esse destino?  Merece. Eu !

Acontece que o Vítor e Léo estão cantando e eu estou aqui para prestigia-los, não porque eu goste deles. Apenas porque não agüento mais ouvir falar da dupla e eu não conhecer. Você meu caro leitor deve estar perguntando em que mundo eu vivo e eu te respondo: eu vivo no mundo da Cris onde até então a dupla Vítor e Léo era apenas parente de um amigão meu.

Depois  de tanta prolixidade, eu continuo enchendo lingüiça e assistindo Huck. Porque? Não sei. Esse trem deve hipnotizar a gente. Agora tenho que reconhecer que os irmãos mineiros falam admiravelmente bem. Português perfeito que me deu vergonha do meu linguajar, entonação perfeita, pausas milimetricamente calculadas.

Ok, vou começar a ler em voz alta para melhorar a dicção, o português e a cultura também, visto que continuo assistindo o Huck, to cantando Latino junto com o bilheteiro Renato  (e não é que ele canta bem?)  e o livro em questão continua encostado.

...

meia hora se passou e me senti obrigada a voltar aqui e contar a vocês que continuo assistindo o caldeirão. O Luciano está em 7 Lagoas com o quadro Lata Velha se fingindo de Sheik Arabe. Hilário !!! Ele se finge de árabe mas tem um sotaque francês !!! Acho que o Luciano ganhou uma nova expectadora.



Escrito por Cris às 15h05
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Eu queria prometer que nesse ano eu iria voltar a escrever todos os dias. O máximo que posso prometer é que vou tentar. Mas enquanto tento explicar para o Tico e o Teco como um simples badalar da meia-noite faz com que acabe um ano inteiro, deixo vocês com um post lindo da Juju.

Afinal, nada se perde, nada se cria... tudo se copia.



Escrito por Cris às 17h36
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Porto das Viradas

"Emprestado" do blog da Juju:    http://mycatblog.zip.net/

2008 está acabando, é o que todo mundo diz. Acontece que as pessoas falam isso tomando como base o passar dos dias, e está certo. Mas há um coisa que elas ignoram.

Elas ignoram que 2008 está num porto, sentado junto à sua mala, esperando o navio chegar. De fato, ele calmamente espera enquanto observa o mar escuro fazer seus sinuosos movimentos acalentado por um céu cravejado de estrelas. Como esse banquinho é duro! Sinceramente, que construiu o porto não se preucupou muito com o conforto das pessoas! Olha lá todo mundo em pé... Então, 2008 decide se levantar de seu banquinho e, com alguma dificuldade, começa a deitar a mala.

2008 já se encontrava alí há algum tempo. Saiu de casa cerca de uma hora antes da meia-noite e pegou um táxi. Seu último táxi... Moço, ao porto, por favor!... Já se encontrava uma multidão esperando o chamado Ano Novo por aquelas bandas. 2008 teve que atravessá-la inteira, e aturar a raiva de alguns que já queriam vê-lo longe, e a tristeza de alguns que insistiam que ele ficasse mais um pouco.

2008 então encontrou um canto calmo do porto, onde havia um banquinho. Resolveu ficar por lá, era melhor. Só não era melhor ainda devido à dureza do banco, por isso é que 2008 resolveu deitar a mala.

De fato, que mala pesada. Bem que 2007 avisou, quando 2008 apenas era aquele ano que acabara de chegar... Meu amigo, sua malinha pode estar bem levinha agora, mas se em cada um dos seus 365 dias você for colocando uma coisinha, quando você for embora, a malinha já vai estar bem pesadinha, meu filho.

Por isso, vê se enquanto você estiver atuando, se pode fazer uma musculaçãozinha para o aninho ficar bem fortinho no dia da viradinha, meu filho!

Em primeiro lugar, eu tenho 366 dias, 2007, e não 365 como você. Sou bissexto.

Em segundo lugar, 2007, eu não consegui fazer a musculação que você me pediu.

Em terceiro lugar, você estava certo quanto à mala.

Quando 2008 desembarcou do navio que o levara àquela terra estranha, sua mala estava completamente vazia. Mas... ora, também, 2008 não tinha nada para colocar nela. Era um ano tão vazio quanto sua mala. E era um ano vazio porque ele ainda não estava acontecendo. E anos que ainda não acontecem não possuem nada para carregar consigo, a não ser a mala.

Logo quando chegou, o cara do "Bem vindo!" entregou-lhe um papelzinho. Foi a primeira coisa que o fato de estar alí lhe rendeu. Institivamente, 2008 colocou o papelzinho na mala.

E de papelzinho em papelzinho a mala foi enchendo, e às vezes nem eram papelzinhos, e sim objetos com um pouco mais de peso. Com todo ano é assim. No caso de 2008, veio o caso da eleição nos Estados Unidos, e o consequente (cabisbaixo) fim do governo do outro. Veio a quebra do mercado imobiliário, a quebra dos bancos e a queda das bolsas: a crise financeira.

Com esta última, baixou o "salve-se quem puder" no mundo. Em alguns, mais. Em outros menos.

Vieram conflitos novos, acalmaram-se outros. Veio o prazo para os EUA tirar suas tropas do Iraque, veio a confusão entre a Rússia e a Geórgia. Vieram também as manifestações em Mianmar, depois no Tibet, depois na Grécia. Aconteceu de mais um derivado da antiga Iugoslávia ganhar a independência... Reféns (ilustres) das Farc foram libertados...

Veio um novo casamento para o presidente da França, enquanto um outro, o de Cuba, renunciava. E, ainda, a Rússia ganhou um novo. Ah, e o Paraguai também.

Que coisa... Presidentes novos aparecem em todos os anos, não?

Veio uma Olímpiada. Sim, isso já era previsível, já que a cada quatro anos se realiza um evento desses e, como a última caiu no colo de 2004, a próxima haveria de ser recebida por 2008. O que não era previsível era que os chineses, que tomavam de conta do evento desta vez, fariam tão esplendoroso espetáculo. Antes disso, veio o caso de que a passagem da tocha olímpica por alguns lugares estava um tanto difícil...

Vieram crueldades. Veio o caso da mulher que "educava" uma garota. Veio o caso de um pai que aprisionou a própria filha por um pouco mais de duas décadas. Veio o caso do namorado que tanto amava sua ex a ponto de mantê-la cativa por quase uma semana e matá-la no final. Veio o caso de uma garotinha jogada de um alto andar de um prédio. Vieram casos parecidos...

Vieram catástrofes. Veio o tornado que aportou por estas terras, onde ninguém jamais julgou que um tornado seria capaz de passar. Veio a seca, que sempre vem, mas sempre é terrível. Veio a enchente no Sul deste Brasil. Veio um terremoto na China. Também vieram casos parecidos...

E tudo ia se acumulando na mala do gentil 2008.

Porque todo bom ano acumula os fatos que lhe entregam os arredios humanos, as arredias conjunturas, a arredia vida. E tudo vai sendo colocado na mala.

E, quando o derradeiro momento chega, a mala está tão cheia que dentro dela não cabe mais nem o menor papel de bombom. Está cheia de lixo, mas também de ouro, e também de outras coisas que podem ser aproveitáveis... Ora, que desatino! Todos os acontecimentos de um ano são aproveitáveis, não é por isso que dizem que a vida é uma escola?

Depois de um cadico de dificuldade para deitar a mala, 2008 finalmente consegue e senta-se nela. Muito mais confortável do que o banquinho do porto. Volta a fazer o mesmo que estava fazendo, observar o mar. Ao longe, algumas figuras de branco jogam flores às aguas e ficam pulando ondas. Sim, do ponto onde 2008 estava dava também para ver a praia.

2008 suspirou. Com certeza, aquela era a última vez em que observaria tudo aquilo daquele ponto de vista.

De repente, a multidão que estava do outro lado do porto começou a se alvoroçar. Bem, naquele dia, só havia um motivo para isso acontecer. 2008 olhou para a torre do relógio -um porto como aquele tinha que ter uma torre do relógio- e constatou que faltavam poucos minutos para o Ano Novo chegar. Voltando a olhar para o mar, conseguiu visualizar uma embarcação no horizonte.

O navio era rápido. Sua chegada ao porto deveria coincidir com o bater da meia-noite. Ele ia se aproximando, e aumentando à medida que chegava mais perto, e aumentava junto a euforia das pessoas presentes no porto. Aumentava também a ansiedade de 2008 e, quem sabe, do tal Ano Novo, que estava vindo naquele navio.

Os minutos corriam na velocidade do navio. Menos metros havendo entre o porto e a embarcação, menos tempo faltava. O dito Ano Novo já podia ser visto...

Quando o navio estava fatalmente perto, a multidão começou a contar. 10! 9! 8! 7! 6!... 2008 olhou o relógio. Os ponteiros estavam quase juntos!... 5! 4!

3!

2!

1!

Os foguetes explodiram no céu. Rajadas das mais variadas cores faziam quem olhar esquecer que o céu à noite é azul escuro. O barulho dos fogos era absurdamente maior do que o da multidão toda gritando. 2008 deixou escorrer uma lágrima quando viu aquelas luzes espalhafatosas explodirem no manto celeste. Para ele, que ia embora, queima de fogos é um tanto melancólico...

2008 levantou-se e em seguida levantou sua mala, enxugou a lágrima e decidiu voltar a encarar a multidão. Também, era preciso.

Paralelo a isso, o Ano Novo, que se chamava 2009, já encontrava-se descendo do navio. A multidão emocionada jogava-lhe papel picado e pétalas de flores, e também o cercou quando ele já estava com os pés em terra firme. O cara do "Bem vindo!", obviamente, desejou-lhe boas vindas e lhe entregou um papelzinho. 2009, instintivamente, colocou o papelzinho na mala.

E, no meio do porto, o encontro! Quando deu por si, 2008 estava frente a frente com 2009. Quando deu por si, 2009 estava frente a frente com 2008. E ao multidão ao redor, atenta: Isso era interessante.

- Err... -o Ano Novo parecia um tanto inseguro- Você é o 2008?

Uma segunda lágrima escapou dos olhos de 2008.

- Sou.

- Vi você sentado em cima da sua mala aqui no porto.

- E eu vi você lá em cima no navio...

- Hehe. Err...Como é que é aqui?

- Olha... -2008 suspirou e pensou por um momento sobre qual seria a melhor maneira de responder à pergunta do Ano Novo- Bem, está vendo essa sua mala? Ela está vazia, não é?

- Estava. Agora há pouco, um sujeito me deu um papelzinho.

- Pois é assim que acontece. À medida que os seus dias vão passando, você vai acumulando coisas nessa mala. Quando chegar a sua vez de partir e todo mundo te chamar de Ano Velho, sua mala estará tão cheia que mal conseguirá carregá-la. É assim que acontece. É assim que é aqui.

- Acho que entendi. Feliz Ano Novo!

- Tchau. -para 2008, falar "Feliz Ano Novo" não parecia fazer muito sentido.

Então, 2008 pôs se a embarcar. Para onde iria? Não sabia ao certo, talvez para um lugar chamado memória. Diziam que lá tinha chá com biscoitos todos os dias. No porto, sob o calor do povo, 2009 estava exultante por agora poder começar sua missão.

E o navio partiu com 2008 dentro. Rapidamente já estaria no horizonte. Tristeza de uma parte e alegria de outra já era comum em dias como aquele. Era um que se ia para sempre e outro que chegava para ficar por um tempo que, à primeira vista, parecia uma eternidade. Também, meus caros...

...também não haveria como ser de outra maneira no Porto das Viradas.



Escrito por Cris às 17h33
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