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Rascunhos
“Se na literatura busco recriar
a verdade que se esconde sob a realidade,
na vida corro o risco, às vezes fatal,
de recriar alguém que só existe na minha imaginação.”
- Fernando Sabino -

Do Jó

Todo mundo sabe o que eh o certo.

Sera?

Matar eh errado. Todo mundo sabe isso?

Que jogue a primeira pedra quem nunca achou que Beira-mar devia estar morto a muito tempo?

Ainda assim, mesmo desejando a morte dele, imagino que as pessoas ainda tem conciencia que isso eh errado.

Sera que os indios que vivem perdidos no meio da amazonia, e que tem conflitos com as tribos vizinhas acham que matar um oponente eh uma coisa errada? Ou sera que matar um oponente eh algo que tem que ser feito?

Imaginando que todo ser humano tenha essa conciencia, que matar eh errado, entao surge mais uma pergunta: se matar outro ser humano eh errado, por que matar outros seres nao eh errado?

Cadeia alimentar eh a primeira coisa que vem a minha mente: alguns animais sao carnivoros e precisam matar outros animais pra se alimentar.

Otimo! Isto tira da lista de culpados todos os carnivoros. Porem, abre mais um leque de perguntas: seres humanos sao mesmo onivoros? Sera que deveriam comer so vegetais?

E com a chegada destas perguntas, o foco sobre sabermos sobre o que eh certo fica cada vez mais longe...

E como todos sabem, este tipo de fenomeno eh causado por escritores entediados sentados em avioes procurando assuntos para escrever!

 

Tive sorte neste voo e sentei sozinho num grupo de cadeiras, e ja tratei de ocupar todas tres.

Ao meu lado, tem uma menina que tambem ta sozinha num grupo de tres cadeiras.

Ela ta com um caderno escrevendo. A primeira coisa que pensei, que tipo de pessoa fica escrevendo num caderno em pleno aviao. De repente comecei a achar isso gracioso: a maneira como ela segura o caderno, apoiado na mao esquerda, como faziam as meninas na epoca que eu estava no colegio; ela segue escrevendo com longas pausas, com direito a olhar perdido e mordidas na caneta.

Ela comecou escrevendo sentadinha no lugar dela, depois foi ocupando a cadeira vizinha para apoiar o caderno em cima do joelho, depois ela deitou nas tres cadeiras e continuou escrevendo e escrevendo.

Ela eh bonita. Nao bonita de mentira como as pessoas da tv, ela eh bonita como mulheres tem que ser: tracos finos, delicados e serios. Ahh, eu nao podia deixar de lado, ela tem o olhar perdido, e nao ha nada mais poetico do que isso.

E quanto mais escrevo a respeito dela, mais envolvido eu fico e vou criando uma pseudo-paixao platonica pela menina de jeans e camisa preta de mangas compridas. E quanto mais isto cresce, mais eu percebo que tudo eh de mentira.

Ela ta escrevendo, e eu pagaria fortunas para saber sobre o que. E no momento que eu descobrir, tudo vai acabar.

Tudo vai acabar porque eu vou descobrir que ela eh uma menina real, com problemas reais, escrevendo para expulsar seus demonios. Talvez escrevendo uma carta para o amor da sua vida que esta lhe abandonando, ou um poema sobre como eh dificil sentir tanta coisa dentro de si e ao mesmo tempo ter que esta pronta para o mundo (tudo isto em cima de um salto), ou quem sabe sobre todas as aventuras surreais que ela imagina enquanto escova os dentes olhando para o espelho pela manha.

Tudo vai acabar porque eu descobri o que ela ta escrevendo e o que era um mundo de possibilidades, virou so uma certeza.

 

E antes de tudo acontecer, ela me perguntou as horas, apagou suas luzes, deitou-se e foi dormir.

(Gentilmente cedido pelo Jó)



Escrito por Cris às 20h11
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Que trocar?

- Você troca essa Mercedes ML320 - que você não tem -  por uma garrafa de Coca-cola?

 

 

Troquei a mordomia de um apartamento na zona sul, com café na mesa, almoço delicioso e colinho de noite por um apartamento grande, velho, vazio e extremamente querido.

 

Troquei toda a sensação de “estar em casa” pela casa dos sonhos – amarela, jardim na frente com pinheiros, varanda com redes, gramado nos fundos e uma jabuticabeira.

 

Troquei o tumulto da casa pela calma de um apê do tamanho da sala da casa perfeita, mas lindinho lá onde Judas perdeu as botas.

 

Troquei a calma por uma chance numa cobertura com lareira, piscina e fantasmas.

 

Troquei o certo pelo duvidoso, indo direto para um quarto e sala de alto padrão em São Paulo.

 

Troquei o temporário por um apê – 2 quartos e sala – velho, torto, mas aconchegante e que ainda cabe relativamente bem minhas coisas.

 

Troquei os gastos por uma companhia numa varanda no alto do morro, com a linda vista de uma construção.

 

Troquei o trânsito pela praticidade de uma casa de pombo e outra construção.

 

Estou me sentindo dentro daquela cabine do Silvio Santos:

“- Você troca sua quase nova mesa triangular, linda, com 6 cadeiras que não cabem na sua casa por uma bola de sorvete?”



Escrito por Cris às 13h50
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Não quero luxo, nem lixo

Não sei se sou eu que ando muito inocente ou se o mundo é REALMENTE muito cruel.

Quando a tal moça foi “atacada” na Suíça eu fiquei horrorizada com o que estava vendo. Quando disseram que era uma farsa eu fiquei com raiva. Como podiam descartar tão fácil assim um crime desses com uma desculpa tão esfarrapada? Aí me convenceram que realmente era uma fralde e eu penso: “quem em sã consciência faz uma coisa dessas consigo mesmo? Uma possível indenização vale isso? Tem que pagar quanto? ”

Aí fechei os olhos para os jornais. Na telona vi um cara arrancar os olhos de um menino, porque cantores cegos arrecadam mais dinheiro. Na telinha um carinha come cogumelos com bochechas. Nas páginas dos livros eu me escondi da chuva com um garoto de pijama listrado. 

Tentando ver a vida real pela internet, me deparei com orkuts clonados, mensagens sabotadas, privacidade rompida, suspiros, conversa mole, mentiras, seduções, amores perdidos... e chorei como a muito tempo eu não chorava.

Eu quero chuva, eu quero sol, eu quero praia, eu quero frio, eu quero um cobertor, eu quero um colo, eu quero um amor, eu quero um píer.



Escrito por Cris às 16h19
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Ruivas dão azar

Eu sempre achei que aqui se faz, aqui se paga e  hoje foi só mais uma amostra do quanto eu estou certa nesse quesito.

Encontrei alguém que eu não via a muito, MUITO tempo. Ouvi coisas que eu precisava ouvir.  Percebi o quanto eu fui e, em se tratando do mesmo assunto, eu ainda sou inconseqüente. Vi o quanto se pode magoar alguém, mesmo não sendo essa a intenção.  Comprovei a teoria do efeito borboleta e preciso seguir em frente  sabendo que nada muda o que passou.

Estou triste, com a consciência de ter magoado alguém a 10 anos atrás, e outro alguém a 4 anos, e outro a 2 anos e outros a alguns meses. Eu poderia escrever inúmeras palavras em minha defesa – mas seria inútil para você que me lê sem ter a mínima idéia do que estou falando, seria inútil para os envolvidos que não estão interessados em desculpas, seria inútil ara mim por saber que desculpas não curam mágoas.

A única coisa que posso fazer é me recolher à minha significância – sim, eu significo muito para muitas pessoas – assumir as conseqüências dos meus atos e seguir em frente com mais esse aprendizado. Nada muda o que passou, mas pode mudar o que virá.

O carnaval acabou, o ano começou, postei algo ainda em fevereiro. E que venha 2009.



Escrito por Cris às 23h47
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