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Rascunhos
“Se na literatura busco recriar
a verdade que se esconde sob a realidade,
na vida corro o risco, às vezes fatal,
de recriar alguém que só existe na minha imaginação.”
- Fernando Sabino -

A primeira impressão é a mais forte...

... não necessariamente a que fica.

“Às vezes eu quero fechar os olhos para toda a sujeira em minha volta. Quero fechar os olhos para a burocracia, a incompreensão, a corrupção, a burrice, a incompetência, a falta de amor, o excesso de amor, a pobreza e a ganância. Tenho vontade de fechar os olhos permanentemente para a política, para as mentiras, para o abuso de poder, para a subestimação. Não quero ter que olhar para o lado e ver que meu colega que faz a mesma coisa que eu, ganha mais ou menos. Não quero olhar para baixo e ver o mendigo com uma ferida aberta. Não quero ver os olhos daquele que sofre. Não quero olhar para cima e, mesmo com os olhos bem abertos, não conseguir enxergar o céu. Não quero olhar para frente só para te ver partindo. Não quero ver as rugas no espelho nem os ponteiros da balança.

Seria muito fácil simplesmente fechar os olhos para tudo isso, mas ainda não me ensinaram como deixar de sentir. ”

Aí, agora que já passou um tempinho e leio novamente eu penso... quem foi que disse que não fechei os olhos? Nasci em Belo Horizonte com um clima perfeito, agora minha cidade está debaixo d’água. Eu moro em São Paulo – a terra da garoa – e mesmo com uma garoa um pouco mais forte, a cidade ficou debaixo d’água. E aí você me diz: “Qual a novidade? São Paulo vive debaixo d’água!” e eu digo: - Isso!

A cegueira branca já chegou. É normal a cidade encher d’água, acho mais que normal eu precisar colocar grades na minha janela, fazer seguro contra roubo, pagar um carinha para que ele vigie meu carro dele mesmo, ficar 2 dias na fila para conseguir um médico, morrer de fome num país onde a comida estraga em galpões, engarrafamentos de horas, propinas, corrupção, violência.
Li em algum lugar que o livro tratava da “animalização” do homem. Eu incluiria mais um verbete no dicionário – desanimalização. Queria eu que vivêssemos com animais, lutando para sobreviver, matando pela comida, o poder como forma de organização.

Saramago é um cara que me faz pensar, analisar, mudar de opinião e acho que esse será um livro com vários posts.



Escrito por Cris às 21h17
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