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Rascunhos
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“Se na literatura busco recriar
a verdade que se esconde sob a realidade,
na vida corro o risco, às vezes fatal,
de recriar alguém que só existe na minha imaginação.”
- Fernando Sabino -
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Com vocês...
Já é fato conhecido a todos os assíduos nesse blog que eu existo, por isso eu penso – ou acho que penso. De qualquer forma, eu encho os olhos de vocês com várias coisas que se passam na minha cabeça e apesar de tanta palavras entre úteis e inúteis, às vezes eu consigo inspirar alguém a escrever. Uns porque gostaram do que leram , outros porque odiaram o que leram, uns para colocar na internet algo à mais do que o acúmulo de informações dúbias disponíveis. Toda essa redundância, mais conhecida como “encheção de lingüiça” é para apresentar um novo blog. Como o que está na internet se torna público, tomo a liberdade de copiar o texto (com os devidos créditos) para uma apresentação bem feita. Pense! http://blessbliss.wordpress.com/ July 30, 2009 Penso, logo tento escrever algo para postar no meu novo blog que tem apenas 2 dias Penso, logo percebo que a inspiração vem muito mais a noite do que de manhã (tentei escrever hoje pela manhã) Penso, logo percebo que de manhã me sinto “vazio” de pensamentos novos Penso, logo vejo que preciso passar por algo hoje que faça eu filosofar Penso, logo percebo que estou pensando sobre pensar… será que é normal? Penso, logo sinto que nada é normal porque tudo é relativo Penso, logo lembro que relatividade é algo que os físicos adoram falar Penso, logo estou tentando lembrar o nome da figura de linguagem que consiste na repetição no começo de cada verso Penso, logo vou pedir ajuda a um site de busca: Aliteração (não), anacoluto (não), anadiplose (não), anáfora (sim)!! Anáfora: Em retórica, anáfora é a repetição da mesma palavra ou grupo de palavras no princípio de frases ou versos consecutivos. É uma figura de linguagem comuníssima nos quadrinhos populares, música e literatura em geral, especialmente na poesia. Penso, logo sinto que minha anáfora já não é tão anáfora pois acabei comentando sobre a tal e consequentemente quebrando as repetições Penso, logo lembro que existe um outro nome para isso.. hmmm … metalinguaguem? Mas não estou falando do idioma, estou falando sobre meu post, logo metapostagem! Penso, logo lembro que acabei de fazer um neologismo e que adoro neologismos! Penso, logo percebo que não sei como terminar esse post e se continuar não vai ter fim! Penso, logo lembro do filme “História sem fim” que tem esse nome mas tem fim sim, não tem? Penso, logo é óbvio que tudo tem um fim Penso, logo vejo que eu poderia escrever o maior livro do mundo só com esses versos de “Penso, logo…” Penso, logo dou risada pois ninguém compraria um livro desse! Penso, logo escuto meu anjinho ou diabinho falando pra mim “Pensa logo!” Penso, logo penso “pensar no que?” Penso, logo vejo que não vai ter fim mesmo Penso, logo percebo que preciso terminar logo Penso, logo acabei de fazer uma antítese Penso, logo será que as pessoas que vão ler estarão curiosas para saber o final? Final este que nem eu sei como vai ser… Penso, logo lembro da época em que eu escrevia redações e tinha toda uma forma de escrever, argumentar e bla bla bla e eu demorava e demorava Penso, logo percebo que agora que posso escrever o que eu quero, a escrita acontece naturalmente, flui muito mais e me sinto melhor! Penso, logo vejo que estou assumindo uma responsabilidade que é a expectativa dos leitores e não sei bem como lidar com essas coisas… Penso, logo lembro que o final é muito importante. Finais de livros, filmes e poesias: “O filme é bom, mas o final é terrível” Penso, logo tento lembrar por que comecei a escrever assim? Penso, logo lembro de Descartes! Ê laia hein Descartes, quando você ia pensar que eu faria algo assim com sua famosa frase? Penso, logo sinto que a melhor forma de terminar algo é voltando à origem, à inspiração: “Cogito, ergo sum” (”Penso, logo existo”)
Escrito por Cris às 12h04
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Um longo dia
Tive um pesadelo. Pela segunda vez em poucas semanas tive um sonho horrível com muito sangue, mortes, desespero, choro... muito choro. Acordei com uma pedrada de gelo na cara, molhada tanto pelas lágrimas como pela chuva que entrava pela janela. O corpo tremia, sem saber se era de medo ou de frio. Na verdade, agora que paro para escrever, já não sei mais a ordem das coisas. Acho que primeiro veio a pedrada de granizo e depois o pesadelo que me deixou tremendo. Me parece mais coerente assim - como se sonhos e pesadelos pedissem qualquer tipo de coerência. Demorei a levantar, precisei de um tempo para ver que tudo estava normal, que lá fora estava o mais perfeito dia chuvoso e que eu ainda estava linda, leve e loira. Um banho quente, uma blusa de lã, uma bota, um cachecol, o Leo, música e trabalho. Cheguei sorrindo, mas o dia, a pressão, os problemas, os desrespeitos, uma possível TPM fora de hora , a fome e, principalmente, a má impressão do pesadelo que não me deixa, fizeram com que tudo ficasse cinza combinando com minha roupa preta e com o tempo lá fora. Preciso da chuva. Preciso que ela caia em mim e leve embora tudo isso. Ando numa fase leve da vida. Acho que esse ano promete coisas boas e a nada como a chuva para levar embora todos os fantasmas sangrentos de um pesadelo noturno. Acontece que tenho uma reunião agora, então , vou suspirar bem fundo para não entregar meu real estado de espírito, fechar a boca para não provocar um ciclone em minha volta, abrir bem os olhos de modo que as lágrimas simplesmente sequem antes de caírem. Isso tudo é apenas cansaço, nada mais. PS: A reunião aconteceu, bocas alheias não ficaram fechadas, o ciclone se levantou junto com meu volume de voz e depois, sozinha, as lágrimas caíram soltas. Em 10 anos de trabalho, essa foi minha primeira vez .
Escrito por Cris às 07h50
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"Meu caminho a cada manhã... "
Saí de casa no mesmo Cris horário de sempre, com o mesmo Cris humor de sempre para o mesmo Cris caminho de sempre. Acontece que sabe-se lá por qual motivo, no lugar de ouvir o mesmo Cris CD de sempre, caí na besteira de colocar na rádio onde a “dona” me diz que tem um acidente na marginal e que o trânsito “tendia a se complicar”. Pensei: ‘ ótimo, vou passar por dentro’. Esse foi o meu erro - Pensar e não necessariamente passar por dentro. Segui a Faria Lima que eu conhecia, segui a placa apontando para onde eu deveria ir e de repente... eu estava na Faria Lima de novo – para o lado contrário, voltando para casa. Retorno. Faria Lima, placa, conversão à direita numa rua que na metade do quarteirão vira contra-mão. OK, passei na contra-mão, conversão à esquerda, uma praça, um ônibus, um prédio e... a Faria Lima. Cruzei a Juscelino, segui outra placa, esquerda, esquerda de novo, direita ... Parque Ibirapuera. Nããããããoooooo! Entrei à direita na primeira rua que deu, segui o fluxo e ... Faria Lima. Cruzo para o lado certo, Juscelino à direita, retorno, 1ª à direita e estou no caminho certo. Entro na rua para fazer o outro retorno para o estacionamento, mas a rua está fechada, e tem um desvio que me joga na marginal. Resultado? Juscelino e Faria Lima. Agora eu aprendi o caminho. Retorno, Juscelino, 1ª à direita, conversão em lugar proibido e estacionamento. Apenas 1h40min depois de sair de casa eu consegui chegar no meu local de trabalho, onde normalmente eu gasto 20min com o trânsito da marginal. Culpa de quem? Da “dona” claro. Quem mandou colocar caraminholas na minha cabeça? A minha lerdeza já é conhecida, não precisa de ajuda. Mas eu sou loirinha esforçada e boa aluna. Aprendi a lição. Agora, toda vez que eu sair de casa, vou ouvindo o CD e não a rádio. 
Em azul o caminho normal. Em vermelho meu tour por São Paulo.
Escrito por Cris às 10h09
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"Meu mel você é um pedaço bom de mim"
Uma vez me disseram que não existe esse negócio de talento, que tudo era questão de treino e persistência. Eu não acredito nisso. Mas, ou eu estou muito errada e passei minha vida persistindo num treino estranho, ou eu realmente tenho um inegável talento para arrumar confusão. Um amigo saía com uma amiga que não era eu. Acontece que a esposa não acreditou nessa história. Amiga que sou, fiquei com a culpa, perdi o amigo e sai com o amigo dele. Um ex sempre presente ou um ex presente para sempre? Como se pode mudar os planos de toda uma vida? E se eu, considerada por ele a rainha da inconstância, não consigo mudar os planos da ordem, como pode ele conseguir mudar as ordens dos planos? Tudo se acabou mas volta a cada segundo com a certeza que nada acontecerá. E falando em certeza, existe alguém, casado com outro alguém com uma certeza duvidosa de que sou eu e mais ninguém . (Ui, rimou) O gatinho da internet tem uma gatinha de olhos azuis, mas como gatinho que é passeia no meu telhado virtual. Eu, que estou com a distância medida por vários bits de quilômetros, até tento declinar todos os miados elogiosos, mas gato que é gato sabe como chegar chegando. Sorte minhas que os bits são poucos e sorte dela que os quilômetros são muitos. Um velho babão ex-vizinho da minha tia, um colega tímido que se declarou depois que fui demitida, um encontro às escuras regado a conversas filosóficas, um corpo malhado comprometido com várias e com olhares para mim, uma conversa mal compreendida pelo Messenger, uma mensagem errada no celular e bummm! Lá vem confusão para o meu lado. É talento ou é treinamento?
Escrito por Cris às 19h10
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O Senhor da Chuva
Acordei essa madrugada com um estrondo, um clarão no quarto e todo o resto tremendo. Ok, o exagero eu posso colocar na conta dos sonhos , mas a chuva era de verdade, os pingos no meu rosto eram de verdade e o meu sorriso também. Nada poderia ser mais perfeito que um sábado chuvoso. Não, não estou falando da garoa paulista. Estou falando de chuva de verdade. A mais perfeita chuva mineira caindo em território paulista. Chuva forte, tórrida, contínua, gelada. Chuva que molha, que esfria, que resfria, que acalma. Eu tenho uma ligação especial com a água. Devo ter sido um peixe em alguma encarnação. A chuva me esclarece, me mostra quem eu sou, quem eu quero ser e a diferença entre essas duas pessoas. Me mostras os passos errados, bagunça os cabelos, escurece a olhos mas clareia a visão. Consigo me sentir culpada por tanta paz enquanto a chuva alaga, desmonta, esfria e mata aqueles que infelizmente não tem o mesmo cobertor, o mesmo teto e a mesma quietude. Eu queria poder fazer algo, talvez eu possa fazer algo mas normalmente é mais fácil fechar os olhos – para os outros e para mim. Uma corrida na chuva sob o olhar reprovador do porteiro, 1 hora sob a água tentando retomar o fôlego que já tive um dia. Um banho quente para aquecer o coração, um moletom gostoso, um filme romântico, um livro novo, uma gata, a janela fechada, as minhas muxibas, um edredon de oncinha e estou na minha cama, virada para o canto, com os pés em trouxinha. Que a chuva caia.
Escrito por Cris às 18h04
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