Coincidência ???
Em feriado regado à filmes, vinho e chuva, aproveito o ventinho da noite para viajar por Paris. Um casal se encontra num trem em Viena e passam a noite se conhecendo no filme anterior – sim, água com açúcar, mas uma gracinha (Antes do Amanhecer). No filme de hoje – Antes do Por do Sol ( não sei se conhecem), o mesmo casal se encontra após 9 anos. Ainda estou nos primeiros 30 minutos de filme, mas algo me chamou a atenção. Após aquele embaraço tradicional de um reencontro inusitado, os dois conversam como se tivessem se encontrado ontem. Mesma fluidez, mesma sintonia, um conhecimento recíproco, contos, coisas, confidências, fatos. Acontece que hoje eu me encontrei com um amigo e descobrimos que estamos fazendo 18 anos – a amizade atingiu a maioridade e talvez a maturidade. Ficamos vários anos sem nos encontrar, não sei dizer se os mesmos 9 – datas eu deixo com ele. Mas após algum embaraço do primeiro reencontro em terras paulista, agora conversamos com o mesmo desembaraço, fluidez, brincadeiras e tudo o mais de 10, 13, 15 ou 18 anos atrás. Não posso comparar nossa situação com a do jovem casal: Eles eram apaixonados, se conheceram num único dia e estão num charmoso Bistrô em Paris saboreando um café e trocando confidências, enquanto nosso relacionamento teve toda uma infância e adolescência com direito a crises existenciais para agora chegar aos 18 anos de “convívio”, se é que posso usar essa palavra com tantos quilômetros envolvidos. Acontece que um diálogo específico ouvido pela tela foi simplesmente idêntico a um trecho dessa tarde. Se a diferença entre o charmoso bistrô e a mesinha de shopping onde sentei com “pernas de índio” e um sanduba do Burger King não fosse tão gritante, eu diria que a sensação de Dejavu seria a mais perfeita falha da Matrix. Mas foi o mesmo olhar, a mesma brincadeira, a mesma observação, a mesma risada, a mesma cumplicidade. Sou sugestionável por natureza. Se o filme viesse primeiro, eu diria que o diálogo vinha do subconsciente que o guardara por algum motivo qualquer. Mas a recíproca não é verdadeira. Também não estou aqui para entender o que acontece. Se a arte imita a vida, estou pronta para comemorar em grande estilo a maioridade de uma amizade, afinal, com 18 anos, já podemos tomar um “pileque”. Agora preciso ir, pois já deixei meu amigo em casa e larguei os dois pombinhos no bistrô à minha espera e o café deve estar esfriando. ... 45 minutos depois, ela é loira, neurótica e tem um gato. Mas toda a coincidência acaba aí.
Escrito por Cris às 00h50
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