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Rascunhos
“Se na literatura busco recriar
a verdade que se esconde sob a realidade,
na vida corro o risco, às vezes fatal,
de recriar alguém que só existe na minha imaginação.”
- Fernando Sabino -

Victória

A gente nasce, cresce, reproduz e morre com o mesmo sonho: Que no final tudo dê certo.

Apesar de toda a vida moderninha, de saia rodada e salto alto, carro próprio, emprego bom, todo mundo sonha com a vida de margarina: um amor para toda vida – no meu caso um moreno alto, bonito e sensual que me ame e eu ame também. Que a vida seja fácil, divertida, linda, feliz, sempre feliz. Que até tenha algum percalço, mas que esse termine rápido com um beijo enxugando a lágrima e à partir daí começaria o primeiro momento do resto de minha vida.

Porém nem tudo são flores, nem todo moreno é alto, nem todo alto é bonito, nem todo bonito é sensual e, estatisticamente falando, a chance de eu amar a quem me ama num mundo com bilhões de pessoas onde eu não tenho nenhum controle sobre o meu coração é um tanto quanto baixa... apesar de acontecer às vezes.

Acontece que essa foi uma semana feliz, em companhia de uma família feliz, em um momento maravilhoso e para mim esses ´´pedaços de vida´´ são o que eu chamo de felicidade.

Sendo assim, em busca de alguns outros  ´´pedaços´´ eu me entrego à Rosamunde Pilsher para viver um conto de fadas enquanto espero meu vôo, que infelizmente não é para a Escócia.

Dúvida cruel: Porque a maioria dos romances termina no casamento??  Depois dele tudo é lindo ou o romance acaba ali?



Escrito por Cris às 21h41
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Coincidência ???

Em feriado regado à filmes, vinho e chuva, aproveito o ventinho da noite para viajar por Paris.

Um casal se encontra num trem em Viena e passam a noite se conhecendo no filme anterior – sim, água com açúcar, mas uma gracinha (Antes do Amanhecer).  No filme de hoje – Antes  do Por do Sol ( não sei se conhecem), o mesmo casal se encontra após 9 anos.

Ainda estou nos primeiros 30 minutos de filme, mas algo me chamou a atenção. Após aquele embaraço tradicional de um reencontro inusitado, os dois conversam como se tivessem se encontrado ontem. Mesma fluidez, mesma sintonia, um conhecimento recíproco, contos, coisas, confidências, fatos.

Acontece que hoje eu me encontrei com um amigo e descobrimos que estamos fazendo 18 anos – a amizade atingiu a maioridade e talvez a maturidade. Ficamos vários anos sem nos encontrar, não sei dizer se os mesmos  9 – datas eu deixo com ele. Mas após algum embaraço do primeiro reencontro em terras paulista, agora conversamos com o mesmo desembaraço, fluidez, brincadeiras e tudo o mais de 10, 13, 15 ou 18 anos atrás.

Não posso comparar nossa situação com a do jovem casal: Eles eram apaixonados, se conheceram num único dia e estão num charmoso Bistrô em Paris saboreando um café e trocando confidências, enquanto nosso relacionamento teve toda uma infância e adolescência com direito a crises existenciais para agora chegar aos 18 anos de “convívio”, se é que posso usar essa palavra com tantos quilômetros envolvidos.

Acontece que um diálogo específico ouvido pela tela foi simplesmente idêntico a um trecho dessa tarde. Se a diferença entre o charmoso bistrô e a mesinha de shopping onde sentei com “pernas de índio” e um sanduba do Burger King não fosse tão gritante, eu diria que a sensação de Dejavu seria a mais perfeita falha da Matrix. Mas foi o mesmo olhar, a mesma brincadeira, a mesma observação, a mesma risada, a mesma cumplicidade.  

Sou sugestionável por natureza. Se o filme viesse primeiro, eu diria que o diálogo vinha do subconsciente que o guardara por algum motivo qualquer. Mas a recíproca não é verdadeira.

Também não estou aqui para entender o que acontece. Se a arte imita a vida, estou pronta para comemorar em grande estilo a maioridade de uma amizade, afinal, com 18 anos, já podemos tomar um “pileque”.

Agora preciso ir, pois já deixei meu amigo em casa e larguei os dois pombinhos no bistrô à minha espera  e o café deve estar esfriando.

...

45 minutos depois, ela é loira, neurótica e tem um gato. Mas toda a coincidência acaba aí.



Escrito por Cris às 00h50
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2 minerim

Mineirim: Vou pegar meu PFão e "imbópácádumí".

Mineirinha: voimbópácálavárôpa :

Mineirim: tôfóra, mióbópácácumêidumínénaum?

 

Mineirinha: é! Cêtemrazão

Mineirinha: vôimbópacádurmí.

Mineirinha: inte

 

Mineirim: Intéminhã!

Mnineirinha: Ah, eupópôesspedassdacunverssnoblog?

Mineirim: pópô

Mineirinha: bêjú



Escrito por Cris às 09h57
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Um gato entre os pombos

É impressionante o que uma única pessoa desagradável pode fazer com 1 semana de abstinência kármica.

“Seria tudo tão perfeito, se tudo fosse só isso.

Mas isso é menos do que tudo,

é menos do que preciso”

 

Encarar a desordem física ou neurológica, eis a questão !!!



Escrito por Cris às 14h47
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